Você está se divertindo?

Quando você pensa no trabalho, como fica o seu rosto? Crispado ou sorridente? Tenso ou relaxado? Testa franzida ou serena? Afinal, o que o trabalho tem a lhe dizer sobre os seus sentimentos e emoções?

O trabalho não goza de boa fama. Nos textos da Bíblia, é considerado maldição, castigo a ser pago com o suor do rosto. Como se não bastasse, a própria palavra tem origem em um instrumento de tortura usado pelos romanos, chamado tripalium, ou três paus, e que, mais tarde, deu origem à cruz, mantendo a triste referência.

Nos Estados Unidos, são consumidas, por dia, 15 toneladas de aspirinas nos ambientes de trabalho para domar, entre outros incômodos, dores nas costas, na cabeça, no estômago, úlceras, urticárias e outras alergias, fora os transtornos psicológicos. São muito comuns, nas empresas, as “farmacinhas” e a automedicação.  

Oras! É para isso que serve o trabalho? Para adoecer? Não seria para viver? Lembro-me de um líder que se orgulhava do ambulatório, em sua empresa. De fato, impecável. Mas manifestei, a ele, a minha estranheza, por constatar que, em contrapartida, não havia um só ambiente reservado ao convívio ou ao aprendizado, onde as pessoas pudessem tratar mais do que os aspectos físicos de seu corpo, a saber: os mentais, emocionais, intelectuais, espirituais. Ou seja, o conjunto de um ser humano. É exatamente pela ausência dessas outras dimensões no trabalho que o físico padece.

Não estranha, portanto, que assim tem sido: trabalho é igual a aborrecimento que é igual a sofrimento, que é igual a padecimento. Trabalho não é visto como sinônimo de vida, o que se revela uma grande distorção da natureza. E a maior prova de tal distorção é que aumentou o tempo livre (antes, na era industrial, trabalhava-se mais de 60 horas por semana), mas as pessoas acabaram preenchendo esse espaço com mais trabalho. Ou seja, mais aborrecimento, sofrimento e padecimento.

Existe, sim, o compromisso da empresa. De transformar o habitat, para que ele se assemelhe mais a uma comunidade do que a uma organização. A organização clássica, ditada pela ciência da administração, desumanizou o trabalho. Pressionada pelo mercado e por sua ânsia competitiva, desencadeou o medo. Este, somado à desumanização, provoca os transtornos físicos e psicológicos pelos quais passam boa parte de quem trabalha.

Mas essa é a parte da empresa. Existe, também, a parte de quem elabora o trabalho e que é capaz de executá-lo como um empreiteiro ou um artista. A diferença entre eles é vital. Para o primeiro, o trabalho jamais passará de mera empreitada, sem nenhum significado, apenas o dispêndio de tempo e energia e o consumo do vigor físico e emocional. Como artista, a relação é outra. O trabalho se transforma em arte para a qual é preciso oferecer dons e talentos. A arte busca encantar, pretende ser apreciada, enquanto a empreitada se resume a obter algum rendimento pecuniário.   

Resumindo: a empresa pode e até deve proporcionar um bom ambiente de trabalho, para que este seja realizado com satisfação. Mas a relação que se tem com o trabalho depende de cada um de nós. É nossa a vontade de executá-lo, o desejo de fazer alguém feliz, a alegria de exercitar nosso potencial criativo.

Voltemos, então, ao ponto de partida: quando você pensa no trabalho, como fica o seu rosto? Sem provocar risos e sorrisos, um trabalho não merece existir.

Escolha, porque optar só depende de você. Divirta-se!

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