Veja além do visível, então aja!

Heráclito de Éfeso, – assim como Tales, Pitágoras, Parmênides e Demócrito – pavimentou o caminho por onde passariam, mais tarde, Sócrates e Platão. Pois bem, por que evocar Heráclito num texto que trata do visível e não visível, ou melhor, do aqui e do acolá, título de um dos capítulos do livro “O Velho e o Menino”?

Heráclito, precursor da filosofia, sabia que era importante olhar para além do aqui, buscando compreensão no acolá. Ou seja, existe uma estrutura subjacente à superfície visível. Ele acreditava que a maioria das pessoas não consegue compreender a dinâmica da vida por viver semiadormecida, distraída com problemas triviais. Aprisionada no modo de pensar limitado ao aqui, essa massa de gente deixa de perceber soluções que só se apresentam aos que conseguem acessar o empírico mundo do acolá.

A mensagem principal de Heráclito, que influenciou pensadores como Platão, Aristóteles, Marco Aurélio, Plotino, Goethe, Hegel, Nietzsche, Carl Jung, Martin Buber, é:

Acorde, preste atenção ao que acontece

dentro de você e ao seu redor e, depois, aja.

Existe uma sutileza na mensagem de Heráclito: antes de descobrir o acolá subjacente ao aqui, nas coisas de fora, exercite descobrir o acolá subjacente ao aqui, nas coisas de dentro. E aqui vale refletir sobre o oráculo, tão presente na cultura ancestral grega. A finalidade de consulta ao oráculo não é tanto prever o futuro ou buscar uma solução para enfrentar um problema, embora seja o desejo de muitos. O poder do oráculo é fazer com que a pessoa que lida com um problema no nível do aqui penetre mais fundo no nível do acolá, aonde vivem as suas próprias intuições. Por isso os oráculos são sempre ambíguos, incentivando a que se vá além da primeira interpretação.

Existia, na Grécia antiga, o mais famoso oráculo da história: o de Delfos, consultado, na época, por pessoas de todos os lugares do mundo. “Conhece-te a ti mesmo”, afirmação atribuída a Sócrates é, na verdade, uma inspiração do oráculo de Delfos ao filósofo.  

A levar ao pé da letra o próprio ensinamento do oráculo, não havia, a rigor, nenhuma necessidade da peregrinação ao local, a menos que esse movimento ajudasse a romper os bloqueios de acesso ao acolá. Fora isso, a viagem que cada um de nós faz para dentro de si é sempre a mais significativa e dispensa passaporte. Pratique e constate!

 

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios*