Tem muita gente que fala inglês e está sem trabalho

Eu conheço e você, também. Tem muita gente desempregada e que fala inglês. Aprendeu uma nova língua, mas percebe que não é um passaporte seguro para obter uma vaga no mercado de trabalho. Depois de algumas tentativas sem êxito aposta que será mais bem recebida em terras compatíveis com o idioma. É bem provável, no entanto, que as mesmas razões pelas quais não consiga trabalho por aqui se repetirão por lá. E ainda com mais dificuldades.

Existem três fatores imprescindíveis que uma outra língua não dá conta de resolver. A intenção é o primeiro deles. Intenção implica razões e motivações. De nada adianta mudar para outro país no qual domine a língua se as mesmas intenções permanecem ou continuam desorientadas ou camufladas por segundas intenções. Aliás, vale uma reflexão: qual era mesmo a intenção, quando se pôs a aprender uma segunda língua? Quais eram os interesses e as buscas? É possível que tudo siga igual, apenas acrescido de uma nova competência. 

O outro fator é o propósito. Se a intenção ajuda na partida, o propósito auxilia a sinalizar a chegada. Para onde? Para quê? Para quem? Sem propósito, outra língua pode facilitar a comunicação, mas não dará a direção. Você continuará girando tal qual biruta de aeroporto, só que agora com o inglês fluente (ou quase). 

Finalmente, o terceiro fator: as relações. Em qualquer atividade, emprego, função, cargo espera-se que a pessoa saiba se relacionar, trabalhar em equipe, negociar. Todo QI (quociente intelectual) do mundo não substitui o QE (quociente emocional) que permite a qualidade das relações. Inteligências lógico-matemáticas, linguísticas e tantas outras são muito bem-vindas, principalmente em algumas funções e projetos, mas nenhuma delas substitui a inteligência interpessoal, voltada aos relacionamentos humanos. Negócios, empresas e trabalhos são, em uma única palavra, relacionamentos. Algo muito além da comunicação.

Nenhuma língua substitui aquela que é universal e atemporal: a do amor. Quem a ela se dedica, consegue se expressar em todos os idiomas e em qualquer lugar do mundo.  E é melhor compreender isso muito bem, antes de investir mais tempo a aprender mandarim, por exemplo, na vã esperança de que, assim, estará a salvo!

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