Sejamos todos um!

Darwinistas de última hora estão babando com a possibilidade de ganhos favorecida pela lei dos mais fortes.  Só estes vão sobreviver – proclamam -, sedentos por herdar integralmente os mercados dos mais fracos, depois que a tempestade passar. Imaginam faturar em cima da tragédia dessa pandemia.

Outros fantasmas famintos, em uma hora trágica como a atual, seguem pensando no “mais para mim”, ao aumentar preços e levar a exploração dos mais fracos ao limite extremo.  

Comovente figura no meio de uma praça de São Pedro vazia como jamais se viu, o Papa Francisco disse: “Em nossa avidez por lucro, nós nos deixamos absorver pelas coisas e transtornar pela pressa”. O que nos fez ficar a serviço das coisas e não o contrário? Ele prosseguiu: “Não é tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é”. Sábias e tocantes palavras, que vão ecoar em nós durante muito tempo.

Trate, então de pensar sobre o que resta, quando nada mais resta. Ainda restam, com renovado vigor, a força das relações, a palavra amiga, a cooperação, a compaixão.

Nada é mais sórdido do que se concentrar no degradante “salve-se quem puder” num momento como esse. “Abraçar a sua cruz significa encontrar a coragem de abraçar todas as contrariedades da hora atual, abandonando por um momento a nossa ânsia de onipotência e possessão, para dar espaço à criatividade que só o Espírito é capaz de suscitar”, invocou – e reverbera no íntimo de cada um de nós – o Papa Francisco.

Não é hora da lei do mais forte. Agora é hora – como sempre deveria ter sido – da lei do mais solidário. O momento é inédito, único e dramático. O ego não pode prevalecer sobre o alter nem a economia sobre a saúde ou o dinheiro sobre a vida! 

O santo padre continuou em sua homilia: “O Senhor nos interpela e, no meio da nossa tempestade, nos convida a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar”. É hora de comungar juntos o sagrado projeto comum chamado humanidade

Não por acaso, o pontífice finalizou, citando Jesus:

“Que todos sejam um só”.

 

Imagem: Reprodução do Youtube

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