Quem você pensa que é?

Antes de mais nada, é bom saber: você está onde deveria estar. Pode parecer estranho que eu lhe diga isso. No livro “O Velho e o Menino”, recomendo uma viagem de busca ao invés de fuga. Uma jornada de peregrino, não de turista. Viagem, busca e peregrinação sugerem movimento e, então, me contradigo: você está onde você deveria estar, ou seja, não há para onde ir.

Acontece que você resolveu parecer mais do que ser. Passou a acreditar que é outra coisa, inventou uma identidade distinta da real, desenvolveu uma segunda personalidade. Perdeu de vista a sua primeira intenção e a substituiu por segundas intenções. Por que deixou de ser quem é para dissimular, aparentando quem você não é?

Arrisco algumas respostas: ambição, ascensão, sucesso. Quanto mais você persegue essas coisas, mais tenta alardear essa estranha criação, distanciando-se cada vez mais de si.   E acrescento: tem medo de rejeição, de inadequação. Enquanto o medo está no comando, o amor, seu oposto, não tem lugar. E quem você pensa que é: medo ou amor? Reflita um pouco antes de responder, pois quem sabe compreenda de uma vez por todas que você está onde deveria estar.

A viagem de busca não é para fora. O mundo externo só vai deformar você ainda mais. Vai revestir o personagem de coisas que são tudo, menos você, um ser único. Não se compare nem se equipare. Evite o risco de se assemelhar a outras identidades, personalidades, também perdidas de si mesmas.

Seu devir não é algo que se encontra no futuro. Garantir o futuro é uma viagem insana que elimina toda a beleza do momento. Trocar o presente pelo futuro é o mesmo que substituir o ser pelo parecer.

Em outras palavras: você já está lá. O aqui é o acolá. O acolá já está aqui.

Espero ter ajudado.

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