Por que não fazem?

A área de marketing atrasou as peças promocionais, as vendas não preencheram a capacidade produtiva, a produção não deu conta de atender a demanda, a mercadoria não foi entregue no prazo pactuado, as especificações do produto não foram cumpridas conforme o acordado, o setor financeiro não emitiu a nota na data devida e por aí vai.

“Por que não fazem?” ou “por que não fazem corretamente?”, pergunta a si mesmo o líder, de cabelos em pé. 

Talvez você espere desvendar alguma força oculta e misteriosa, capaz de impedir as práticas esperadas, e ache básico demais o que tenho a dizer, mas considere três is possíveis: a incompreensão, a ignorância e a inépcia.

A primeira investigação é: o que precisa ser feito foi devidamente compreendido por quem tem de fazê-lo? Incompreensão é mais comum do que se imagina, embora o líder sempre pressuponha a compreensão e, com isso, economiza esclarecimentos. Checar o entendimento para ver se foi assimilado, de fato, é fundamental para não seguir em frente com viés.

A segunda investigação é: quem vai fazer tem as informações e o conhecimento necessários para dar cabo da tarefa? Nessa hora, sempre me lembro de uma frase de John Naisbitt: “jamais subestime a inteligência das pessoas, mas não superestime seus conhecimentos”. Pense em quantas vezes você duvidou da capacidade de seus colaboradores de aprender ou de assumir responsabilidades que você julgou não estar ao alcance deles, ou lembre de outro equívoco, o de apostar nos conhecimentos que eles, pressupostamente, deveriam ter.

Eles não fazem o que precisa ser feito por incompreensão e por ignorância. Ambos os problemas podem ser resolvidos com esclarecimentos, no primeiro caso, e informações, no segundo. Mas, o que fazer quando a compreensão e o conhecimento não são suficientes? 

É aí que entra em cena o último i, a inépcia. É o i mais intrigante pois, nesse caso, a compreensão e o conhecimento existem, mas não são aplicados corretamente. É fácil aceitar algo que não foi feito por incompreensão e ignorância, mas é difícil aceitar a inépcia. 

Os dois is anteriores dependem da pessoa, de sua capacidade de assimilação e aprendizado, mas enfrentar o i de inépcia exige algo mais: a existência de um método, que minimize o risco de erros e facilite a execução. 

Quem busca forças ocultas e misteriosas para explicar porque as coisas não são feitas talvez se frustre com a simples resposta de que um método pode encorajar e fazer com que o objetivo se cumpra. Aos incrédulos vale lembrar que às vezes as coisas são mais simples do que se imagina.

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