Olhe para trás!

Olhar para a frente, para as tendências, para o futuro. É o que recomendam, com insistência. Válido, para o transitório, mas não para o transcendente, ou seja, o que não passa. Como aprendi que o aqui não se faz sem o acolá, eu prefiro olhar para trás. Para mim, o passado tem mais futuro do que o futuro. No que se refere ao transcendente, penso que o futuro está em desvantagem com relação ao passado.

 O que digo lhe parece estranho? Então reflita comigo. Tome como exemplo a empresa, transformada em organização por meio da ciência da administração, mas preferida pelas pessoas quando se assemelha a uma comunidade de trabalho, nos moldes daquelas de artesãos e que antecederam a revolução industrial.

Outro exemplo que ajuda entender melhor o que proponho é o trabalho em rede, em que as pessoas interagem, libertas dos velhos modelos de descrição de cargos, funções e planos de carreira, fazendo o melhor uso de seus dons e talentos. 

Se ainda tem dúvida, observe o sucesso das empresas que conseguem crescer embora na essência continuem pequenas, a exemplo dos empórios dos tempos dos nossos avós.

Organizações, cargos e funções, planos de carreira são artifícios transitórios provenientes da velha economia. Comunidades de trabalho, atividade em rede, dons e talentos são transcendências que precederam a velha economia, passaram por ela sob certa desconfiança de quem apostou no transitório e agora ressurgem triunfantes, na Nova Economia. 

É claro que o passado deixou para traz o que tinha de transitório, mas o que tinha de transcendente permanece e assim continuará para sempre. 

A tecnologia tem gerado mudanças drásticas na vida das pessoas, das empresas e do mundo. Sua velocidade é tamanha que gera confusão sobre o que é transitório e o que é transcendente. Não é de admirar que acabemos trocando  os meios pelos fins. A tecnologia é meio, não é fim. Ao olhar para o passado, podemos apostar que o seu papel será impulsionar ainda mais tudo o que é transcendente. 

E, afinal, o que não passa?

Os valores virtuosos, como a verdade, a beleza e a bondade; as relações humanas, como o afeto, o cuidado e a solidariedade; as culturas colaborativas, como a participação, o consenso, o espírito de equipe; a espiritualidade, como a aproximação com o sagrado e a vivência com o que há de mais sublime.

Sempre que o caos e a desordem prenunciem um futuro confuso e conturbado, dirija suas atenções para o passado, buscando a mesma ordem natural a que nossos ancestrais se dedicavam com fervor. 

Pode acreditar: essa é a razão pela qual estamos aqui. Garantiremos o futuro dos que virão sempre que colocarmos o transcendente acima do transitório. E, para que ninguém esqueça, vale repetir o ensinamento do Velho Taful: “não existe o aqui sem o acolá”.

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