O desafio da relação correta

Dos cinco desígnios em O Velho e o Menino, um dos mais flagrantes no dia-a-dia é aquele que trata da relação sujeito/objeto. Não sem motivo, trouxe-o de volta no recente livro Chamamentos, como a definir a relação correta que nos remete à ordem natural.

Se já lhe aconteceu – e é bem possível que sim –, talvez você consiga avaliar o que sente ao perceber que seu interlocutor, no outro lado da linha, está fazendo alguma outra coisa enquanto fala ao telefone. Às vezes, até dá para ouvir o clique das teclas do computador, ao mesmo tempo que os comentários ouvidos vão se tornando superficiais. 

É um típico exemplo de relação-objeto, sem empatia nem sintonia e conexão emocional. Acontece nas relações superficiais e utilitárias, em que o outro é um meio para alcançar algum objetivo e também quando fazemos muitas coisas – uma marca de nossos tempos –, misturando afazeres e diálogo. 

Empresas egocentradas é a denominação que damos a todas aquelas cuja cultura está na relação-objeto. Nelas, os líderes consideram os colaboradores somente meios através dos quais algo precisa ser entregue. Trata-se, portanto, de uma relação utilitária medida pelo desempenho. Em troca, às vezes, de algumas recompensas quando o que estava previsto corresponde ao realizado. Nada mais.

Esse mesmo tipo de empresa egocentrada, apoiada por colaboradores também egocentrados, repete o mesmo equívoco na lida com o cliente. O contato não passa de algo superficial, com o único objetivo de arrancar o pedido ou efetuar a venda, sem nenhuma preocupação com o sujeito, agora o cliente.

O primeiro grande desafio da metanoia é transformar empresas egocentradas em altercentradas. A chave não é nada fácil de virar, pois se trata de uma outra cultura, exatamente oposta. O fundamento dessa mudança está em desenvolver uma relação correta, qual seja, a de sujeito/sujeito, com base na atenção, na empatia, na conexão emocional. 

O processo deve começar dentro de casa, com a equipe de colaboradores, sem o qual nada acontecerá fora de casa, com o grupo de clientes. A mudança, nada corriqueira, admita-se, é imprescindível para quem quer ingressar em uma Nova Economia. A ela, portanto. Com empenho e coragem!

  • Fabio Zottino

    Olá Roberto,
    Realmente, você foi certeiro ao ponto!
    Estou no segmento de Telecom a 25 anos, atuando como gestor de pessoas em multinacionais e fundações. São todas egocentradas. A transformação não é apenas uma mudança cultural, mas uma necessidade de sobrevivência!
    Parabéns pela reflexão!
    Um abraço,
    Fabio

  • José Eduardo Marino

    “Hoje em dia nos deparamos com indivíduos que se comportam como autômatos, que não conhecem ou compreendem a si mesmos, e a única pessoa que conhecem é a que pensam ser, alguém cuja conversa vazia substitui a comunicação real, alguém em quem o sorriso sintético tomou o lugar do riso genuíno e a sensação de desespero total ocupou o vazio deixado pela dor autêntica…”Erich Fromm.
    “Você pode comprar o trabalho de uma pessoa, mas não pode comprar o seu coração. O entusiasmo e a lealdade encontram-se no coração. Você pode comprar a força, mas não pode comprar o cérebro. E a criatividade, a engenhosidade e o potencial são encontrados no cérebro.” Sthepen R. Covey.
    Parabéns caro Tranjan pelo seu excepcional trabalho .Sem dúvida nenhuma, os que abraçam essa filosofia, adotam um novo modelo mental, são prósperos e acima de tudo felizes! Abraços de luz!

  • Anna

    Tudo começa pelos valores. As pessoas que valorizam o próximo se preocupam em ser presente com família, amigos, parceiros, clientes. Estamos precisando redescobrir o que realmente é importante. as conexões com valores são mais reais e efetivas.

  • Lucimari da Silva Sa

    A empatia existe? Um chefe nunca sabe o que seu funcionário passou, quais dificuldades teve para chegar ao seu destino (trabalho). A capacidade de se colocar no lugar dos outros, principalmente, num ambiente de trabalho é praticamente inexistente.

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