O antídoto está no veneno

Se o medo é um fato e um estorvo, ao mesmo tempo, que ao menos aprendamos a reconhecê-lo, sem nos deixar enganar. Existem medos e medos e, para driblar cada um deles, cabem atitudes e estratégias diferentes, destinadas a impedir que interfira nas mudanças que precisam ser feitas.

É praxe dizer que um dos maiores medos é o do desconhecido. Costuma-se explicar a resistência às mudanças com base nessa velha crença, apenas uma entre muitas que não correspondem à realidade ou, quem sabe, até represente uma parte dela.

Contraponho, sim, ao dizer que uma das maiores resistências à mudança está no apego ao conhecido e no medo de perdê-lo.

As pessoas se apegam a seus cargos e funções, a suas rotinas, a seu jeito de trabalhar, a sua sala, ao quadro na parede, à mesa e à cadeira. Apegam-se a coisas e pessoas. Então, mais do que justificar a não-mudança pelo medo do desconhecido, na tentativa de tornar mais visíveis os que supostamente a temem, melhor será buscar outra estratégia para efetivar a mudança necessária.

E que outra estratégia é essa? A mesma que a medicina usa para produzir remédio a partir de veneno. Trata-se, então, de produzir um antídoto a partir do próprio apego. Se é algo inevitável e próprio do ser humano, o melhor é elevar o teto, levando as pessoas a se apegar a algo superior.   

Toda mudança é a migração de um ponto A para um ponto B. Nem sempre o ponto B é melhor do que anterior, o que faz com que os apegos se acentuem ainda mais. A resistência em sair de A não é pelo desconhecimento de B, mas pelo apego às coisas e pessoas de A. Uma saída, então, é acenar com bons apegos em B.

O meio mais eficaz para isso é a criação de um propósito. Um propósito evidentemente superior ao que se vive no ponto A. Algo que seja capaz de fazer com que as pessoas estejam dispostas a se desprender. Apegar-se a esse propósito é a força impulsionadora da mudança a efetivar.

Atente ao detalhe da estratégia proposta: não se trata de dar visibilidade a B, tornando-o mais conhecido, mas de afrouxar as amarras, distendendo os apegos existentes, para que ressurjam em outra dimensão, mais próspera e favorável.  

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