Empresas também sofrem de déficit de atenção

Eu costumava dizer que a comunicação é o principal problema da maioria das empresas. Antes de aprovar meu palpite, gostaria de acrescentar outro que pode fazer você mudar de ideia: a maior dificuldade, mesmo, é o “transtorno de déficit de atenção”. Pressinto alguns concordando, enquanto outros coçam a cabeça tentando compreender melhor a nova tese.

Existe um grande alheamento no ar, eis a questão! Muitas decisões erradas são tomadas por conta disso: falta de atenção, o que torna difícil eleger as prioridades. Prioridade, por sua vez, significa dar ordem às coisas, o que é de compreensão difícil em boa parte das empresas. E, se não há consenso nesse sentido, é porque as atenções estão dispersas, em distintas direções.

Outra prova do “transtorno de déficit de atenção”: também é comum nas empresas reagir mais do que refletir. Refletir implica dar uma pausa, ajustar percepções, avaliar o contexto para depois agir. Oras! Se realizado dessa forma, esse exercício será uma boa maneira de colocar a atenção onde ela deve estar. Mas, por acreditar em sua eficiência, as empresas limitam-se a ser reagentes. E reagir é raquetear, ou seja, viver o drama diário de pingueponguear bolinhas, ad eternum.

Para completar a tese de que o maior problema das empresas é o “transtorno de déficit de atenção”, convido você a fazer um teste. Pergunte a seus sócios, líderes ou colaboradores: “por que estamos aqui? ”. Investigue quais as legítimas razões ou motivações para que a empresa exista. As respostas devem sugerir aonde cada um deles coloca atenção. Calcule se todos estão vivendo em um mesmo contexto, com os mesmos pretextos, redigindo o mesmo texto. Em outras palavras:  avalie se todos contam a mesma história, em um mesmo livro, no mesmo capítulo e página.

Não se aborreça se constatar que está em uma Babel. É isso que eu chamo de “transtorno de déficit de atenção”. Uma doença que precisa ser tratada. E o seu desafio é esse: capturar e direcionar a atenção das pessoas. Não apenas do time de colaboradores, mas também de clientes e fornecedores.

Para conquistar e manter a atenção de todos, transforme o seu negócio em uma história com significado. Aí estão duas terapias capazes de curar o “transtorno de déficit de atenção”: uma boa história e um bom significado.

Antes de tudo, porém, avalie se você também não padece do mesmo mal. Quando a liderança está dispersa e desfocada, não pode fazer milagres. Trate de curar-se!

Líderes devem guiar as suas atenções para um foco bem definido. Só assim, criam condições para que os outros possam também direcionar as suas no mesmo rumo.

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