Acredite no desígnio

“Se Deus existe, por que há pobreza?”

Já ouvi algumas vezes perguntas ou indignações similares a essa. Partem de quem coloca sobre os ombros de Deus a responsabilidade, enquanto dela se exime.

São perguntas das criaturas, dos deterministas, dos que acreditam no destino definido por Deus. E, também, de quem sai por aí espalhando incessantes murmurações.

Quem faz a pergunta errada, encontra a resposta errada. “Se Deus existe” implica uma condição e uma dúvida. A condição da pobreza estar nas mãos de Deus e a dúvida da existência d’Ele.

Depois de acusar todos ao seu redor pelas mazelas do mundo, e não havendo mais ninguém a apontar o dedo, sempre  resta Deus, o grande culpado.

“Como Deus deixou isso acontecer?”

Lá vem novamente a criatura, vítima das atrocidades avalizadas por Deus.

“Se há pobreza, o que fizemos de Deus?”

Essa é a pergunta do criador, que não delega a Deus o que cabe a si mesmo. Também não coloca em dúvida a existência d’Ele. Antes, avoca-se a responsabilidade: o que fizemos de Deus? Não se trata mais de apostar no destino, como faz o determinista, mas de acreditar no desígnio, o qual depende de cada um de nós.

“O que fizemos de Deus?” é a pergunta certa que nos coloca como protagonistas da trama que é a vida. “O que fizemos de Deus?” quando O deixamos em segundo plano, para quando der tempo ou for necessário?

Deus não é um utilitário a ser requisitado e usado nas intempéries do dia-a-dia ou lembrado e clamado nas calamidades.

Se Deus criou a abundância, o homem inventou a escassez. A medida da abundância e da escassez é a mesma da aproximação ou distanciamento de Deus. Tudo começa numa pequena fenda que vai se avolumando até se transformar em cratera.

Que buraco é esse em que a humanidade se meteu? Não é “onde Deus estava quando isso aconteceu?”, mas “onde estávamos ou com que nos ocupávamos quando perdemos Deus de vista?”

Devemos a própria vida a Deus e a presença d’Ele junto a nós todas as horas do dia é a nossa maior oferta de abundância à humanidade. Acredite fervorosamente.

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