A flor de lótus no lodaçal

“O importante não é ganhar, e sim competir”. Foi o que disse o barão Pierre de Coubertin, ao presidir uma conferência internacional na Sorbonne, em Paris, e propor a volta dos Jogos Olímpicos nascidos na Grécia Antiga, mas interrompidos até então. A frase sugere cavalheirismo, nobreza e dignidade. Nada de golpes baixos, sentimentos menores e arrogância. Ele conseguiu que o Comitê Olímpico Internacional preservasse o espírito fraterno entre os povos. No entanto… há quem não tenha captado sua virtuosa mensagem.

É saboroso o gostinho da vitória, seja ela resultado da disputa esportiva, de conquistas no mercado, das maratonas acadêmicas, dos avanços científicos, do contexto religioso, do embate político.

Neste último, assistimos ao que de pior existe no gênero humano, incluindo embustes, vilanias, traições, falsidades. Na política, a frase do barão se inverte, lamentavelmente. É muito bonito competir, mas o que interessa mesmo é ganhar, a qualquer custo, sem se importar com os meios e os fins.

Apesar dessa realidade, difícil de encarar, dentro do lodaçal surge a flor de lótus dos verdadeiros vitoriosos. Quem são eles? São aqueles…

… que ao final da jornada, valorizam mais o que se tornaram do que suas conquistas externas;

… que embora a entropia, a crise e o caos ao redor, permanecem serenos e centrados;

… capazes de relevar as fraquezas e os erros dos outros e se concentrar em suas qualidades;

… que não usam o passado para explicar o presente, como se os contextos fossem sempre os mesmos;

… capazes de, incondicionalmente, dar sem o interesse de receber algo em troca;

… que agem com total honestidade e integridade, gerando em si mesmos um sentimento de contentamento e de paz consigo e com Deus.

Esses são os eternos vitoriosos, embora nem sempre sejam lembrados ou celebrizados pela sociedade.

Aos demais vencedores, as batatas, como diria – sabiamente – Machado de Assis.

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios*