Você realmente quer o que deseja?

Seria incrível se todos os nossos desejos pudessem ser realizados em um estalar de dedos… Mas você sabe o que realmente quer? E está preparado para receber?

Uma história antiga fala sobre um homem que, em busca de sombra e descanso, se sentou embaixo de uma árvore. Sede era sua necessidade. E foi só ele pensar em um bom copo d´água que o mesmo apareceu. Ele não sabia, mas aquela era a árvore dos desejos. Entre espantado e surpreso, o homem expressou mais e mais desejos. Todos se realizaram. Começou a se dar conta de que estava acontecendo algo muito especial. Pediu um leito para relaxar. Com o pedido realizado, o homem relaxou. Mas logo surgiu o medo. Começou a desconfiar – e imaginar – que seres malignos estavam realizando seus desejos. E sentiu medo que os seres o matassem. E aí, ele foi morto pelos espíritos que acabara de criar.

Todas as versões desta história partem do mesmo princípio “não vemos as coisas como elas são; vemos as coisas como nós somos”. Afinal, quem matou o homem? No início, um ser à base do desejo. Movido pelo querer, o homem conseguia o que almejava. De repente, e após ter conseguido o que queria, o medo e a desconfiança invadiram seus sentimentos. A partir daí, não era mais um ser disposto a desfrutar as suas conquistas, mas um ser receoso de perder a sua sorte.

No mundo dos negócios, essa história se repete com muita frequência. Veja como funcionam, de maneira genérica, os estágios de vida de um negócio.

O sonho

No início, uma ideia e um sonho. O compromisso com o “dar certo” não é apenas racional, mas também emocional. Existe o risco, mas ele nem alcança o tornozelo do sonho. Não é o conhecimento do negócio que faz com que ele prospere, mas a fé, a crença de que o sonho possa se transformar em realidade. E assim ele se realiza.

A realidade

A ideia ganha forma, o sonho adquire contornos. As coisas começam a acontecer efetivamente.  A ideia inicial agora possui endereço e telefone. O sonho envolve pessoas e coisas ao seu redor. O negócio é feito de atenção e interesse pelo cliente. E também de empenho e excelência na forma de corresponder e responder às necessidades.

O crescimento

No primeiro estágio havia uma ideia, que no segundo foi posta em prática. O mercado corresponde positivamente aos produtos e serviços. As vendas aumentam e, com elas, se ampliaram a estrutura e a capacidade produtiva.

O crescimento traz consigo novos problemas. Um dos mais comuns é a crise do tamanho. A empresa já não é tão pequena a ponto de todas as decisões se concentrarem numa única pessoa, nem tão grande que necessite de um quadro de profissionais.

A bifurcação

Existe uma bifurcação no meio da estrada e o caminho escolhido irá selar o futuro do negócio.  De um lado, o sonho a ser compartilhado com os novos integrantes.  Implica que haverá reparos e o sonho individual, antes restrito apenas ao empreendedor, se transformará no sonho coletivo, capaz de fazer pulsar a alma de todos. Do outro lado, a busca por assegurar o sucesso do negócio através da sistematização.

O caminho da empresa

Se o caminho for esse, a necessidade de segurança e controle rouba o lugar do sonho. Junto com o controle, vem a desconfiança. A empresa perde o espírito de criatividade, inovação e incentivo às mudanças que a levou prosperar. A empresa perde, também e inexoravelmente, a energia advinda do comprometimento espontâneo. Diante desse quadro, o cliente, antes acostumado a ser bem tratado e assistido, defronta-se com uma empresa autocentrada, ensurdecida e de costas para as suas necessidades. E parte para outra.

O mesmo acontece com os colaboradores mais comprometidos e criativos. Na falta de ressonância para as suas ideias e competências, preferem saltar do barco à procura de reviver os bons tempos de motivação e resultados. Por outro lado, os mais burocratas se acomodam. A parte final dessa história é o esquecimento do negócio. Ninguém mais se lembra da intenção inicial. Não há mais sonho, apenas rotina e afazeres.

O caminho do negócio

É no mundo da abundância que o negócio prospera mais. Existe um equilíbrio entre controle e flexibilidade. E também clareza sobre o que é o negócio. Adota-se uma gestão participativa para que todos continuem compartilhando sonhos e desejos. A comunicação é aberta e as pessoas se sentem altamente comprometidas e motivadas.

Volta-se à origem. O negócio recupera a sua essência. Agora, não mais um sonho que se sonha só, mas um sonho que se sonha junto. Com outras pessoas. Mais do que os conhecimentos, é a crença que faz a roda girar. E, assim como na árvore dos desejos, o mundo responde com benevolência.

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