Você leva a vida como bêbado ou como equilibrista?

Bom mesmo seria se a resposta fosse: nenhum dos dois e, ainda assim, um pouco dos dois. 

Existir é diferente de viver! Boa parte das pessoas declara que se sente mais feliz em atividades de lazer do que no trabalho. E essa felicidade é, muitas vezes, feita de sol, praia, cervejinhas geladas, cheiro da picanha na churrasqueira e o jogo na telinha da televisão. As conversas ficam sempre na superfície dos esportes, da família, da última moda, das próximas férias e das fofocas sobre conhecidos e celebridades. Se isso tudo representa felicidade, então ser feliz fica mais próximo do existir do que do viver. Porque viver é fazer uso voluntário das nossas capacidades e isso acontece quando estamos diante de um desafio ou de um objetivo a ser alcançado.

Um desafio exige de nós uma atenção completa, tanto física como psíquica, e é essa concentração que nos livra da entropia, aquele estado letárgico de desatenção, em que permanecemos condenados ao piloto automático. Nesse estado, parecemos felizes, mas no fundo estamos anestesiados. E, às vezes, literalmente!

É o oposto, portanto, do que vivenciamos nos momentos de alto desafio, quando estamos despertos e altamente conscientes, com tudo de que dispomos de mais nobre: sentimentos de  concentração, criatividade, superação e realização. É nesses momentos de unicidade e uso do potencial todo que experimentamos a vida, na forma como ela está aqui sendo tratada. Confirme com suas próprias vivências. A sensação é ou não é diferente?

Algumas pessoas experimentam essa sensação no lazer, mas nunca no trabalho. Outras vivenciam no trabalho, mas apenas existem no lazer. Embora isso some a favor do trabalho, não garante uma vida no estado de excelência. Quem só consegue uma experiência bem sucedida de vida no trabalho, pensa e sente como o lendário equilibrista de circo Karl Wallenda, que dizia “estar na corda bamba é vida, todo o resto é espera”. E isso é tanto uma solução profissional como um problema existencial.

Por isso, algumas pessoas sentem-se perturbadas nos finais de semanas e adoecem nos feriados prolongados ou mesmo nas férias, por mais esperadas que pareçam. O que se conclui que boa parte das pessoas está despreparada para o ócio. E que confunde lazer com “levar a vida”. Nada mais do que o equivalente a perder tempo.

Rico de verdade é quem vive o trabalho e o lazer com a mesma intensidade. E isso acontece quando o que está fazendo é tão absorvente e gratificante que você nem pensa em se dedicar a qualquer outra coisa. Na maior parte das vezes em que nos sentimos realmente vivos, fizemos as coisas pelo insuperável deleite de fazê-las, sem precisar de impulsos e recompensas externas. 

A experiência é que é a verdadeira recompensa! Seguida daquele sentimento ímpar de autorrealização que só emerge de nossas profundezas, em todo o seu esplendor, quando contribuímos com algo maior fora de nós mesmos. Algo capaz de deixar um pouco de quem somos nessa poeira cósmica e transcendente que é a Vida.

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