Você escolhe a fuga ou a busca?

Somos seres de fuga e de busca. Ter consciência do ímpeto do primeiro e do impulso do segundo faz toda a diferença em nossa trajetória de vida.

Como seres de fuga, livramo-nos dos compromissos e de tudo aquilo que nos impõe responsabilidade. Não nos engajamos em nada, nenhuma causa nos toca, permanecemos insensíveis diante da miséria humana e dela queremos distância, aceitamos o mundo como ele é até nos sentimos confortados ao saber que a nossa desdita não é maior do que a dos outros sofredores. Fugimos para não ser como eles.  Perseguimos pequenos prazeres para preencher o vazio que a fuga sempre suscita. E, quanto maior a distância entre nós e a nossa fuga, maior a necessidade de abarrotar o vazio com superficialidades efêmeras. Quanto mais fugimos, mais carentes nos tornamos de coisas e artifícios que jamais serão capazes de satisfazer a sensação de vácuo.

Como seres de busca, ao contrário, queremos nos orientar e seguir uma luz que se irradie em nossos dias. Tratamos de nos engajar em algo que faça pulsar com entusiasmo o nosso coração. Por trás de tudo aquilo com que nos comprometemos apaixonadamente há um profundo anseio  pela vida com amplo sentido, pelo êxtase, pelo amor.

A fuga é um atalho que nos distancia; a busca é um caminho que nos leva de encontro a nós. Nós só seremos capazes de retornar à nossa essência se aceitarmos o caminho da busca. Mas como saber se estamos em fuga ou em busca?

O teste está nos desejos. Quais são os seus?

Pense se são mesmo desejos ou carências. Uns são o avesso dos outros. Parecem iguais pois ambos nos colocam em movimento, mas para sentidos opostos.

Para discernir, observe o que indica o seu coração. Ele se aquece ou não quando pensa em uns e em outros? O calor sentido também se amplia para sua alma? Qual é a fonte inspiradora de cada um deles? É segurança, proteção, sorte, sucesso, reconhecimento? É risco, aventura, liberdade, serviço, realização?

Alguns pensam em busca como algo que gera dor e sofrimento. É verdade, sim, que requer sacrifícios, sempre rejeitados por quem prefere a fuga, alienados na vã felicidade registrada em selfies. Mas é na busca que nos transcendemos de seres existentes para seres viventes.

A própria vida é a maior recompensa de quem busca! Vivencie e comprove.

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