Vivendo na superfície

Lá se foi mais um ano. Como se fosse apenas um instante. O instante que transforma expectativas em alegria ou frustração. Podemos usar um critério simples de alternativas para avaliar o que se passou ao longo deste ano. Exemplo: (1) alegria com o resultado, frustração pelo processo; (2) frustração com o resultado, alegria pelo processo; (3) frustração com o resultado e processo; (4) alegria com o resultado e o processo.

Qual é o seu caso? Se conquistou o nível 4, parabéns! Nem é necessário que prossiga na leitura. Mas se você e sua empresa se situam nos níveis precedentes, então vale a pena continuar. E compreender outras categorias de níveis, aqueles que mostram como a mudança se processa.

Afinal, o resultado e o processo dependem dos níveis de mudança.

Os níveis incrementais

Grande parte do que chamamos de mudanças não passa de meros incrementos, melhorias, otimização do que já é. Poucas são profundas, daquelas que dão um novo curso à história.

Podemos denominar o primeiro nível de mudança reativa. Essa é a mais comum: uma tentativa de resolver o problema sem alterar as condições. É um rebater contínuo de bolas, no mesmo jogo e com a raquete de sempre. É o nível mais básico e, em geral, produz mudanças cosméticas.

Outro nível de mudança incremental é o redesenho de processos, ou seja, a alteração do modelo de trabalho. Algumas vezes funciona, mas nem sempre o investimento de tempo e recursos compensa os ganhos obtidos.

Uma outra possibilidade é o remanejamento. Embora mais impactante por reescalar as posições das pessoas, seus ganhos vão depender das intenções. Se o objetivo for usar as competências disponíveis da melhor maneira e tirar os colaboradores das zonas de conforto, o impacto pode ser positivo, embora seja uma mudança incremental. Mas não vai funcionar tão bem se a meta for amenizar conflitos ou dar novas chances aos velhos problemas.

Esses três níveis de mudanças não garantem uma transformação. É possível que o leitor indague: toda mudança precisa ser contundente? Toda mudança tem de ser drástica? Toda mudança exige uma ruptura? Essas indagações são pertinentes, mas considere outras: por que persistir em um modelo de negócio que não dá certo? Por que viver os mesmos e velhos problemas todos os anos? Por que aceitar uma morte lenta? Por que sacramentar a tristeza sem fim como modelo de negócio, de trabalho e de vida?

Faça sua própria análise e escolha o melhor ponto entre a alegria e a frustração. Se lhe bastam as mudanças incrementais, então treine bem com a raquete, apoie-se na padronização dos trabalhos e continue com a dança das cadeiras. Mas se deseja sair da superfície, coragem!

Mergulhe mais fundo, no próximo artigo.

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios*