Viva o poder da palavra

Gosto das palavras e de seus significados. Quando posso, vou em busca de seu étimo, ou seja, sua origem. Acho curioso como, de fato, cada uma delas inspira em nós seu significado.  Por exemplo: quando penso na palavra ódio, algo perturbador me invade. Ela não evoca, em mim, bons sentimentos. Ao contrário! Tão pequenina, formada por apenas quatro letras e um acento, é impressionante o mal que pode causar se buscarmos em nosso interior o lugar sombrio onde ela habita.

Em outro extremo, está entusiasmo, por seu significado, pelo que representa.  Impossível não me sentir bem pronunciando, vivendo ou sentindo o que inspira em mim essa palavra. Afinal, em seu étimo está inserida a palavra Deus, do grego, enthousiasmós, que pode ser traduzido, entre outras alternativas, por inspiração divina. Não há como não me sentir bem pronunciando, pensando ou sentindo essa palavra. Gosto do que ela provoca em mim, gosto mais ainda quando consigo provoca-la nos outros.

Palavras têm poder! O poder de seu significado. Veja mais esta: discernimento. Arrisco dizer que é, ou deveria ser, uma das palavras mais importantes para o ser humano. Teria, portanto, de constar do vocabulário de todos nós. Em lugar de honra!  

O discernimento é uma capacidade que todos nós temos, embora nem sempre façamos uso dela. Sabemos, por exemplo, que algo como o ódio – ou mesmo o rancor – é um obstáculo à nossa alegria de viver, e que tal sentimento nos traz angústia, ansiedade e medo. Sabemos que perder o sono por causa de algumas suposições ou fantasias não compensa. Sabemos que o que nos maltrata é a nossa leitura de realidade, sempre parcial, incompleta, tendenciosa. Mesmo assim preferimos apostar nesse enredo ficcional e ficar remoendo mágoas imaginárias, com a equivocada atitude de quem vive cutucando uma ferida, a ponto de impedi-la de sarar.

O que, então, nos falta para alterar esse hábito nocivo? Discernimento.

Discernir significa compreender o que existe. É ter consciência plena da realidade, sem se deixar levar pelas miragens, pelas versões dos fatos, pelas fantasias.

Implica um estado de consciência diante das coisas, que inclui certo distanciamento estratégico, para que seja possível examinar a realidade com um mínimo de isenção. Requer, também, sair de si e exercitar a empatia, examinando por outros ângulos. Nos leva, sobretudo, a buscar a réstia de luz que existe mesmo diante do que supomos ser absoluta escuridão. Tudo isso com discernimento e muito entusiasmo.

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