Tudo outra vez

E depois, o que você vai fazer?

Está bem, a crise chegou e, junto com ela, os transtornos. Trouxe mais transtornos do que prejuízo. Aliás, não se trata propriamente de prejuízo, mas desencaixe, nome que se dá ao que acontece quando o caixa diminui de tamanho. Quase sempre por conta do aumento da inadimplência, dos estoques que não se transformaram em dinheiro no tempo esperado e assim por diante. Daí a desesperança tomou conta e você fez o que perpetram os desesperançados: cortou na carne, ou seja, reduziu a folha de pagamentos. A crise chegou e trouxe mais medo do que transtornos.

Mas, e depois, o que você vai fazer?

Uma folha de pagamentos não é apenas um item de custo, algo que compõe as despesas e subtrai as receitas. É uma relação de nomes, de pessoas, de almas, portanto. Vista assim, não pode ser comparada a uma conta qualquer, de insumos, de conservação e limpeza ou de despesas indiretas de fabricação.

Crise é um episódio da história, não toda a história, que é algo muito mais amplo, emocionante, marcante. Geralmente, as mais belas histórias empresariais são feitas de almas servindo outras almas. São empresas para as quais prestamos reverência. Atravessam os tempos e as crises. Estão sempre na crista da onda. Sim, exatamente porque cuidam do seu bem mais valioso: as almas.

O que você vai fazer quando esse episódio da história terminar? Episódios acabam, histórias continuam. O que você vai fazer para retomar a história?

Como itens de custos, novos colaboradores podem significar um barateamento, mas também oferecem menos. Não têm o conhecimento necessário nem reconhecem os valores da empresa e mal compreendem o jeito de fazer negócios.

Almas existem para contar histórias, mas só conseguem fazer isso quando estão psíquica e emocionalmente comprometidas. O valor dessa energia não consta nas folhas de pagamentos. Muito menos o valor que cada uma dessas almas tem ao interagir com as demais, seja o colega, seja o cliente. Por isso, quase sempre o episódio acaba bem, mas a história continua, desprovida de almas engajadas, portanto capenga nas relações, enfraquecida no nível de compromisso, abalada na confiança.

Ao examinar uma folha de pagamentos, em primeiro lugar olhe os nomes, não os números.  Ao reconhecer os nomes, identifique o conjunto de competências que cada um deles representa. Pense nos valores dos quais cada nome é depositário. Imagine o potencial de geração de resultados e riquezas.  As pessoas que compõem uma folha de pagamentos são a única fonte confiável de trabalho, desempenho e resultados.

E depois, o que você vai fazer? Recomeçar tudo de novo? Mais uma vez? Até quando?!

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