Tome cuidado!

Você já presenciou um amigo ou familiar se entristecer ao perder um objeto de família, muitas vezes sem valor financeiro? Mas tanto apego por um simples objeto? Não! O objeto traz em si toda uma trajetória familiar, recheada de carinho, afeto, saudade, lembrança. O que faz a perda ser tão sentida é o sentimento de cuidado.

A dimensão do cuidado

O cuidado é um valor esquecido. Na era do descartável, nada mais parece ter valor que não seja o de uso e o de troca. Basta usar ao máximo e jogar fora. Infelizmente, o desleixo e o descuido tomaram o lugar do zelo e do cuidado. É uma pena. O que de melhor existe nas coisas não é aquilo que a gente pega. É aquilo que a gente não pega!

Leonardo Boff nos ensina que “o ser humano é um ser de cuidado, mais do que um ser de razão e de vontade”. Para ele, o cuidado é uma relação amorosa para com a realidade e em tudo os humanos colocam e devem colocar cuidado. É do cuidado que surge o sentimento de responsabilidade, de respeito, de apreço. E Boff complementa “sem cuidado, a vida perece”. A mesma sutil sabedoria pode (e deve) ser aplicada ao ambiente organizacional. O que nos faz concluir que sem cuidado, a empresa também perece.

Cuidados com o corpo

O trabalho artesanal, antes criativo e desafiador, transformou-se, na era industrial, numa repetição que parece não ter fim. Ao olhar a obra que ajudou a fazer, o operário não a reconhece e nem se reconhece nela. Sua alma não está lá. Ela não lhe inspira cuidados.

A voracidade pelo lucro faz com que as empresas busquem otimizar os ganhos de produtividade. Isso implica o máximo de produto com o mínimo de insumo. Na busca desenfreada por maximizar essa relação, não há espaço para o cuidado.

Cuidados com a alma

A alma de uma empresa é decorrente da qualidade das relações entre as pessoas que fazem o trabalho. Aquelas mesmas que fazem os produtos, que elaboram, que estocam, que embalam, que vendem, que recebem. Se não há cuidado com os produtos e com suas tarefas, também não há cuidado com os relacionamentos.

Sem cuidado, o ambiente torna-se árido. O que predomina é a ausência de gentileza, a falta de delicadeza, as relações frias e superficiais. Sem cuidado, a empresa é um ambiente insípido, em que os resultados valem mais do que as pessoas que fazem os resultados.

Cuidados com a mente

A mente da empresa cuida das relações com os clientes. De não considerá-lo um simples freguês, muito menos um paciente ou um mero comprador.

Cuidar do cliente é, antes de tudo, interessar-se por ele. E isso acontece no primeiro contato com a empresa. Na maneira como é acolhido, na forma como é ouvido, na compreensão do seu problema, na atenção que é dada às suas demandas e problemas, no sentimento de orgulho em exceder as suas expectativas.

A sabedoria do cuidado

Se uma pessoa tiver cuidado com o seu trabalho, isso se estenderá para a sua equipe. Se a equipe tiver cuidado com as outras equipes, isso se estenderá para a empresa como um todo. Se a empresa tiver cuidado com outras empresas, isso se estenderá para o mercado. Se o mercado dessas empresas tiver cuidado com os demais mercados, isso se estenderá para economia. Se a economia tiver cuidado com os seus agentes, isso se estenderá para as nações, para os povos e para as múltiplas possibilidades de geração de riquezas. E isso é prosperidade para todos! Em resumo, tudo o que sonhamos – um futuro melhor e mais humano.

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