Todas as semanas podem ser santas

A semana que segue é considerada santa. São muitos e diferentes os ritos e as celebrações tradicionais neste período:  procissões, pregações, autos e dramatizações teatrais, músicas sacras.

Com exceção dessa, as demais semanas do ano não são consideradas santas. Parece-me desproporcional que exista apenas uma que mereça tal adjetivo, como se todas as outras fossem pecadoras. Afinal, o que torna santa uma semana é o que fazemos em cada um de seus dias e horas.

Que tal um desafio para transformar todas as nossas semanas em santas? Os próprios ensinamentos da Semana Santa podem funcionar como desafios. Então vejamos, quais são.

1. Disposição para servir.

A palavra-chave é disponibilidade. Trata-se de estar disponível sempre que houver um pedido de ajuda, não apenas no momento em que se tem vontade.

Há quem se ressinta quando os seus planos vão por água abaixo por conta de uma demanda não prevista. Mas isso   significa que ninguém está no controle, o que é ótimo! Ficamos disponíveis para servir a quem precisa e, assim, reconhecemos a existência de uma agenda mais importante do que aquela repleta de nossas pretensões.

2. Atenção às necessidades.

Existem pessoas que são disponíveis, mas apenas sob demanda. Sua consciência impede que se recusem a atender   a um pedido de ajuda. Elas seguem à risca o desafio apresentado anteriormente.  Mas existem outras que estão atentas às necessidades alheias e, mesmo que não haja uma solicitação, não perdem a oportunidade de ajudar quem precisa.

3. O ótimo é inimigo do bom.

“Primeiro coloque a máscara de oxigênio em si para depois ajudar o outro”, diz a comissária de voo instruindo os passageiros. A regra vale na aviação, e por motivos bem práticos, mas de nada servirá para a santificação dos nossos dias. Se ficarmos esperando por condições perfeitas, jamais realizaremos algo. Precisamos servir com os recursos que temos. Para dias e semanas santos, o ótimo é inimigo do bom.

4. Todo serviço é um bom serviço.

Todos os serviços são nobres, nem mais nem menos. O tamanho das tarefas é irrelevante. O que as torna vitais, mesmo as triviais, é a doação e a entrega com que as executamos. Feitas com o coração, nenhuma é banal. É bom prestar muita atenção: o serviço mais importante é aquele invisível aos olhos da maioria.

5.  A excelência é sagrada.

Quando o assunto é excelência, nós costumamos fazer uma relação direta com eficiência ou eficácia, qualidade ou algo extraordinário. Se fosse assim, esse quinto desafio estaria em desacordo com o terceiro. Então, entenda por excelência cumprir acordos, assumir responsabilidades, honrar compromissos e jamais deixar serviços pela metade. De resto, o ótimo continua sendo inimigo do bom.

6. O serviço é o sujeito.

O que faz as semanas serem santas é o serviço. Quem serve não se vangloria nem busca algum tipo de recompensa ou reconhecimento. Executa o que tem de fazer com alegria e agradecimento pela oportunidade. Nada tem a ver com agradar aos outros, mas agradar a Deus.

Quem serve trabalha em silêncio e, assim, edifica a hora, o dia, a semana, tornando-os santos.

Finalmente, o sétimo dia da semana. Na Semana Santa, é quando se comemora a Páscoa. Mas por que apenas uma vez por ano? Reflita um pouco sobre esta pergunta e aguarde a resposta no próximo artigo.

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