Sua empresa é uma orquestra e você é o regente!

Negócios também produzem sons. Duvida? Então, experimente com a sua empresa. Apure os ouvidos e escute. Avalie o som que está sendo produzido. Serão acordes harmônicos, criando uma suave melodia, ou estridentes, como os de uma sirene? Não se limite, porém, a seus próprios ouvidos. Quando é integrante da banda, dificilmente você consegue escutar o som que sai das caixas viradas para a platéia. É preciso contar com o recurso do retorno – é essa mesmo a expressão usada pelos músicos. Então, peça emprestados os ouvidos de seus clientes, fornecedores, parceiros. Que música eles escutam? Que tipo de sentimentos ela inspira?

A música traduz bem como as pessoas agem no ambiente de trabalho. Muitas empresas vivem um inconseqüente frenesi, na certeza dos benefícios da tão propagada era da velocidade.

A música de uma empresa é ouvida pelo mercado. Assim, mesmo olhando de fora, os clientes são capazes de identificar do que se trata. Se o que é tocado mantém a afinação ou resvala para uma agressiva dissonância.

No sentido oposto, existem empresas que produzem réquiens, aquele tipo de música indicada para cerimônias fúnebres. Baseadas em um monte de normas e procedimentos, as decisões são lentas e essa vagareza se estende para as ações. Inovação é uma palavra que não cabe em nenhuma estrofe. A apatia reina no ambiente de trabalho e as pessoas se arrastam como se carregassem cruzes às costas. A música sonolenta é embalada pela surda burocracia.

A música pode ser geradora de adrenalina ou de endorfina. A trilha sonora de um filme de suspense contribui decisivamente para aumentar o efeito de uma cena aterrorizante. O coral de uma igreja ajuda a criar sentimentos de enlevo e religiosidade. Assim é, também, o trabalho. Qual é essa música que leva as pessoas a dançar no ritmo certo, com passos firmes, brilho nos olhos, conversa assertiva e comprometimento total?

Primeiramente, pense em acordes, ou seja, nos acordos que precisam ser firmados internamente. Esses acordos devem tomar como base os valores que configuram uma identidade. Pense menos em valores organizacionais, como competitividade, produtividade, qualidade, etc. Pense mais em valores virtuosos, como verdade, excelência, generosidade.

Em seguida, elabore o perfil dos instrumentistas para tocar na sua orquestra. Preste atenção nos atuais. Alguns podem não ter consciência de que fazem parte dessa orquestra nem da importância que têm ou da influência que exercem.

E lembre-se do valor de seu papel como regente. Tudo o que você tem de fazer é dar apoio para que as pessoas consigam desenvolver suas potencialidades, dirimir suas curiosidades e saibam transformar o trabalho em situações de aprendizado. Você será um bom regente quando seus colaboradores acreditarem que está ali não para controlar e impedir que eles façam as coisas erradas, mas para ajudá-las a se desenvolver. E, assim, vai oferecer a eles orientação, propósito, condições de desenvolver liderança e facilidade de acesso aos recursos necessários. São esses os componentes de uma música de ótima qualidade.

Depois abra espaço para os clientes, fornecedores, investidores, parceiros e outros agentes importantes do seu negócio. A partitura já está esboçada, é hora de definir o ritmo.

A boa música é agradável aos ouvidos porque tem pausas. Sem intervalos, qualquer música soa como uma sirene, dessas que levam a gente a tapar os ouvidos, de tão agressivas. As pausas são fundamentais para o planejamento, o aprendizado e a reflexão. No fundo, é a bela mistura de som e silêncio que produz a melodia mais bela e poderosa. A que encanta quem ouve e eleva quem toca. Seja o regente desse extraordinário desafio! Na certa, o que aguarda tamanho conjunto de talentos em harmonia é o aplauso da platéia. E, claro, os pedidos de bis!

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