Sem ética, nada!

– A bolsa ou a vida! – desacata o impávido assaltante, de arma em punho, no ermo da rua.

– A vida – responde a vítima –, pois preciso da bolsa para sobreviver.

Seria uma anedota, se não representasse tão bem a realidade. Tal escolha é feita mais comumente do que se imagina, ou seja, a troca da bolsa pela vida. Ou você não andou ouvindo por aí “logo agora que a economia estava retomando o prumo?”.

Não são poucos os que, entre o bolso e a ética, deem preferência ao primeiro. E, privilegiando o bolso, seguem incólumes, descartando a ética, como se fôssemos considerá-la fundamental “qualquer hora dessa”.

O sustento depende mesmo da dimensão econômica, em que o bolso é a parte mais sensível, mas vivemos sobretudo da dimensão ética. Trocar uma pela outra é substituir uma vida, com chance de ser plena, por uma subvida, sem chance nenhuma de que verdadeiramente valha a pena.

No livro Rico de Verdade discorro sobre a lei de Gresham.  Sir Thomas Gresham foi um comerciante e agente da rainha Elizabeth I, nos Países Baixos. Ele fundou a Bolsa de Valores de Londres, em 1571. É o autor do famoso aforismo “moeda ruim expulsa moeda boa”.

A Lei de Gresham tem relação direta com o bolso e a ética, a bolsa e a vida. Ela nos alerta sobre o fato de que onde entra o dinheiro ruim, advindo de ganhos escusos ou questionáveis, imorais e ilegais, não há espaço para entrar o dinheiro bom, gerado pelo trabalho ao produzir bens e serviços úteis a quem usa e motivo de orgulho para quem faz.

Não é difícil compreendê-la. Afinal, onde está a atenção e a intenção? Pois esse é o cerne do dilema! Se o econômico se  sobrepõe ao ético, o ético se relativiza. Mas a ética é sempre absoluta, jamais relativa.

A Lei de Gresham lança o desafio de buscar sempre o dinheiro bom. A demanda vai muito além dos lucros e rendimentos capazes de gerar apenas satisfação temporária, não duradoura. Implica a necessidade de atenção, de cuidado, de serviço, de relacionamento. Demandas essenciais constituem, juntas, o tecido ético imprescindível não só à empresa, mas também – e essencialmente – à sociedade.

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