Respire para preencher o vazio!

Eu gosto das palavras. É o amor por elas que faz alguém escolher o ofício de escritor, tal como o do tecelão que elabora a trama e transforma os fios em tecido.

 

No livro “O velho e o menino”, o velho Taful também ama as palavras e gosta de conhecer o seu étimo, donde vem o termo etimologia, que estuda a origem e a evolução das palavras. Tome como exemplos a francesa couer e a latina cor, que significa coração, também inserida na palavra coragem. Partindo do seu étimo, podemos dizer que encorajar é acrescentar algo ao coração de alguém. Veja como o verbo encorajar ganha força. E se existe algo capaz de dilatar o coração de alguém é a força de um propósito. Daí chegamos ao âmago do livro: encorajar quem lê a descobrir seu propósito.

 

Muita gente faz o que não precisa por falta de direção. Outros fazem o que não devem por ausência de orientação. O vício sempre vai ocupar o lugar da virtude, assim como a ociosidade e a anomia invariavelmente invadem o espaço do propósito.

 

Ficamos preocupados e assustados demais com as mortes em guerras, crimes e ataques terroristas, alardeados sem tréguas pela mídia. Mesmo somados, porém, ficam aquém do alto índice de suicídios. Em 2012, no mundo inteiro, 120 mil pessoas morreram nas guerras, 500 mil foram assassinadas e 800 mil se suicidaram. Fiquei espantado ao saber do índice crescente, em nosso Brasil, de suicídios em escolas, principalmente particulares frequentadas pela classe média alta.

 

Clamamos por mais segurança contra os crimes, mas não por mais propósito para as vidas daqueles que, em desespero, optam pelo suicídio, não apenas físico.

Encorajar é uma das intenções de “O velho e o menino” e, outra, é inspirar o leitor para que descubra um propósito. Aliás, inspirar vem do latim, inspirare, que é respirar para dentro, portanto, preencher o vazio existencial com o bom sopro.

 

Corações ao alto, portanto!

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