“Precisamos construir um enredo que faça sentido para nós.”

Todas as manhãs, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, Getúlio Vargas perguntava à sua fiel filha Alzira:

 

– Fala-me da versão dos fatos, os fatos não me interessam.

 

Hábil governante, sabia que as pessoas agem e reagem com base na versão dos fatos e não aos fatos. Portanto, para ele, era mais importante compreender e agir sobre a versão dos fatos.

 

É assim no cenário político e também no mundo das empresas. Diante de um mesmo território, as pessoas interpretam mapas, que são vistas parciais, geralmente reduzidas, daquele contexto. O território representa a realidade e os mapas, interpretações do território.

 

Ainda com base nessa metáfora, mais um adendo: boa parte dos mapas são informações que já habitam o observador, não se originam apenas de fora, da percepção do território. Ou seja, parte está dentro de cada um e parte, fora. Em outras palavras, o mapa como interpretação do território é o velho, roto e viciado ponto de vista. Mais uma projeção do que uma visão.

 

Alguns, com rigidez cognitiva, preferem mudar o território ao gosto de seus próprios mapas. Mas o território é o que é, representa a realidade e, por mais que seja distorcido, não deixa de ser o que é. A verdade sempre será o território, independentemente da magnitude de distorções e manipulações. Não há como modificá-la. Por isso, é libertadora.

 

Mas, enquanto a verdade não vem à tona, está feito o embrolho causador de inúmeros prejuízos, tanto nas situações políticas como nas do mundo organizacional. Quando o mapa prevalece sobre o território, as decisões e ações recaem sobre a versão dos fatos e não sobre os fatos. Nascem falidas.

 

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É preciso uma boa taxa de humildade para sair dessa. Implica colocar em xeque a nossa maneira de enxergar a realidade e admitir que ela é, com alguma sorte, apenas parte da realidade. A única saída é “pedir os óculos emprestados”, ou seja, enxergar a realidade a partir de outros pontos de vista. Mas isso só dará certo se os preconceitos e os julgamentos forem suspensos.

 

Escolhi a frase do título, extraída do livro Metanoia, justamente para complementar um aspecto fundamental: mapas isolados não constroem um enredo. É o enredo que dá sentido e oferece um significado. É o enredo que nos coloca próximos do território. É o enredo que nos leva à compreensão.

 

Um dos principais desafios do líder, na empresa, é enxergar a realidade e fazer com que as pessoas também a vejam. Para construir, junto com os seus, um enredo que faça sentido. 

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