Pratique a equanimidade

Taí uma palavra boa para acrescentarmos ao nosso vocabulário: equanimidade. Como não é muito usual, vamos primeiro entender seu sentido. É algo contrário a tomar partido, tendenciar, polarizar, ser parcial e julgar. Já se pode sentir que praticá-la é um bom desafio, pois muito de seu oposto aprendemos a fazer quase que impetuosamente, sem muito pensar. Irmã de outra palavra muito importante, discernimento, equanimidade exige pensar, ou melhor, discernir. Implica, portanto, manter o estado de moderação, isenção, comedimento. Uma atitude que significa livrar-se do desmedido para encontrar a justa medida.
Não se trata, porém, de um desafio fácil, embora exija de muitos de nós algo que, para alguns de nós, é extremamente prazeroso: polarizar e polemizar. Há quem goste demais de atacar o oposto, o contraditório, o outro lado de nosso conjunto de crenças. Equanimidade é nunca se ocupar com essa polarização.
A nova palavra, que agora integra o nosso vocabulário implica, em primeiro lugar, aceitar as coisas como são, pois, do contrário, elas continuarão brigando dentro de cada um de nós. Tal qualidade nos permite negociar com os extremos a partir de nossos próprios opostos, daquilo que não está bem resolvido nem mesmo dentro de nós mesmos. Esse é o maior dos ganhos por incorporar a equanimidade ao glossário habitual. Trata-se de, primeiramente, apaziguar em nosso interior os embates que geralmente colocamos para fora muitas vezes de maneira desastrosa.
Na luta interna, formam-se resistências que também são projetadas no mundo exterior, gerando barricadas nas relações, como poderoso impedimento a que se construa a paz. As resistências têm força suficiente para drenar as energias que poderiam ser canalizadas para a realização e construção de boas relações e de um mundo melhor.
Equanimidade é a única maneira de nos relacionarmos com tudo e todos, pois nos leva a manter uma atitude de aceitação e compreensão. Não significa, no entanto, concordar com todos ou aprovar tudo o que os outros fazem, mas manter abertura permanente para o diálogo e a oportunidade de entendimento e reconciliação.
Acredito que, mesmo os que manifestem posições extremadas, todos desejamos um mundo melhor que ofereça a todos uma vida mais venturosa. Então, aceitemos o desafio: sejamos equânimes! É uma prática virtuosa e gratificante, imprescindível quando os ânimos tendem a se exaltar, perdendo assim a perspectiva lógica. A ela, portanto!

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios*