Perfeitos de fabricação

Somos programados para ser solidários. Esta frase está em meu livro “O Devir”, como uma aposta para a metáfora utópica do Jardim Supremo, que descrevo em outra obra, “Metanoia – Os Passos”.

E o que é uma utopia? É aquilo que ainda não existe, mas que nós precisamos criar, tornar real. Já temos até os recursos. Confira: senso moral, capacidade de discernir o certo do errado, abertura para o altruísmo, empatia, possibilidade de sentir a dor dos outros, sentido de justiça e de reconhecer a gentileza e a bondade como feitos humanos louváveis.

Segundo psicólogos, biólogos e antropólogos, tais fundamentos não precisam ser ensinados. Eles já estão instalados em cada ser humano, são “perfeitos de fabricação”. Quando um bebê chora no berçário da maternidade, todos os demais, à sua volta, fazem o mesmo. Quem os ensinou?

Os fundamentos humanos, morais e espirituais foram se desenvolvendo ao longo dos tempos, por isso, atrocidades consideradas aceitáveis, no passado, como a escravidão e a tortura, tornaram-se deploráveis nos dias de hoje.

– Mas a maldade existe! – diriam os céticos – e não podemos negá-la, pois a despeito da evolução biológica, as atrocidades estão por aí comandadas por psicopatas, para quem os fundamentos humanos, morais e espirituais vieram com defeito de fabricação.

Felizmente, porém, essas pessoas são raras, não passam de 1% da população. Ainda assim, atente ao que nos impulsiona para um lado ou outro. Se uma criança estiver se afogando em uma piscina, quem instintivamente se jogará para salvá-la? Não lhe cause estranheza se for o psicopata, que, destemido e movido pelo instinto, não vai pensar duas vezes em se lançar na água com roupa e tudo para resgatar a indefesa criança, enquanto outros mais generosos tentam desembaraçar os nós dos cadarços de seus sapatos.

Precisamos continuar tendo fé na espécie humana. Acreditar que ela foi mesmo criada à imagem e semelhança de um Deus que a todos acolhe, indistintamente. Afinal, Ele faz chover, tanto para os bons quanto para os maus. 

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