Para ir ainda mais fundo

A era industrial acabou, mas ainda permanecemos muito ligados às máquinas. Estamos rodeados delas: o som das sirenes, a luz dos semáforos, o movimento das escadas rolantes, a marcação dos relógios, o ruído dos rádios, a banalidade das televisões, e, no entremeio, o toque do celular ou a consulta intermitente às suas informações durante o dia todo.

Em outras palavras: saímos da era industrial, mas a era industrial não saiu da gente.

A era do conhecimento nos ajudou muito a encharcar a nossa esponja com múltiplas informações vindas de todos os lados, mais precisamente da internet. Somos, hoje, pessoas informadas. Se a nossa curiosidade pedir, somos capazes de compreender como funciona o som das sirenes, a luz dos semáforos, o movimento das escadas rolantes, a marcação dos relógios, o ruído dos rádios, a banalidade das televisões e o nosso smartphone. Assim, transformamos informações em conhecimentos.

Com tudo isso, ainda reproduzimos o que ouvimos ou lemos, sem fazer uso do senso crítico pessoal. Precisamos emprestar o de alguém, para formar nossa opinião. O que nos faz menos autômatos replicáveis e mais humanos é a nossa criatividade. É ela que nos tira da mesmice das máquinas e nos devolve a consciência.

Som, luzes, movimentos, marcações e ruídos. O som pode ser transformado em música, para o deleite dos ouvidos. A cor, em pintura, para o encanto de nosso olhar. O movimento sugere liberdade, como tanto apreciamos nas danças. O espaço merece ser preenchido pela escultura e pela arquitetura e aguçar nossos sentidos. A memória de um povo é expressa via literatura e poesia. Ruas, praças, jardins, mercados, lojas, cinemas, igrejas são lugares com perfeito potencial de promover a convivência entre os seres humanos.  

 

A ciência explica, mas é a arte que liberta os cinco sentidos e dá espaço ao sexto, ali onde a consciência recupera o seu lugar. Victor Hugo disse que “o belo é tão útil quanto o útil. Talvez até mais. ”

 

Perceba o seguinte: a Beleza não é um conhecimento que se adquire com técnicas. Ciência nenhuma nos ensina a Beleza. O mesmo vale para a Verdade. Não existe técnica para dizer a verdade. Também a Bondade: como aprender a praticá-la? Beleza, Verdade e Bondade não são apenas conhecimentos, são virtudes. Você pode discorrer sobre elas, mas não poderá vivê-las apenas com seu intelecto. Para incorporar essas virtudes, você tem de encontrar um significado que não venha apenas do conhecimento intelectual, mas da consciência.

 

Para isso, Google, wikipédias, aurélios e houaisses não dão conta do recado. É preciso ir mais fundo. Contínua e interessadamente. O garimpo, acredite, será profícuo.

 

Bem-vindo e bem-vinda à Era da Consciência.

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