O ruim espanta o bom

Como tudo na vida, a crise também tem o seu lado ruim e o seu lado bom. Entre outras serventias, pode testar nossa integridade. E foi pensando nisso que me lembrei da Lei de Gresham, a que me refiro no livro “Rico de Verdade”.

 

A Lei de Gresham prega que o ruim e o bom não cabem no mesmo saco. O ruim ocupa o espaço do bom: a má companhia afasta a boa companhia; o mau uso do tempo toma o espaço do tempo bem investido; um projeto equivocado rouba tempo e espaço de um projeto adequado; o dinheiro ruim espanta o dinheiro bom. Não por acaso, Sir Thomas Gresham criou o aforismo “moeda ruim expulsa a moeda boa”, donde surgiu a lei que leva o seu nome.

 

Comerciante, financista e agente da rainha Elizabeth I, nos Países Baixos, Gresham fundou a Bolsa de Valores de Londres, em 1571. A Lei de Gresham nos alerta sobre o fato de que onde entra dinheiro ruim, advindo de ganhos escusos ou questionáveis, imorais ou ilegais, não há espaço para entrar o dinheiro bom, gerado por bons produtos e serviços, úteis a quem usa e motivo de orgulho para quem faz. Assim, lança o desafio de buscar sempre o dinheiro bom, por mais tentador que seja o acesso ao dinheiro ruim.

 

Mais do que nunca, em tempos de crise, precisamos de um alto grau de discernimento diante das escolhas a fazer: como utilizaremos o nosso tempo, com quem nos relacionaremos e faremos negócios e em quais projetos nos envolveremos?

 

A Lei de Gresham nos coloca em cheque. Para desvendar o quanto seremos capazes de nos manter íntegros apesar do fluxo de caixa apertado, das contas a pagar, dos pedidos escassos. Instiga a nossa convicção.

 

Confira, a seguir, alguns testes de integridade importantes para que todos possamos sair da crise incólumes e com o caráter mais fortalecido:

 

– Fui condescendente com o que contraria os meus valores? Por que agi dessa forma? O que me impediu de viver a minha verdade e os meus valores?

 

– Por que não falei o que pensava? Por que não mostrei os meus verdadeiros sentimentos?

 

– Por que não me permiti entrar de cabeça, com entusiasmo e paixão? O que me impediu?

 

– Será que realmente acredito em mim?

 

– Tenho bons motivos para manter meus ideais, apesar de toda a confusão e maldade do mundo?

 

– Consigo manter a chama da esperança, em meio às dificuldades conjunturais, para reforçar meus princípios?

 

– Se eu cometer um erro, serei capaz de admiti-lo com elegância? E, mais ainda, tenho real disposição de corrigí-lo?

 

A Lei de Gresham funciona porque leva em consideração que o sucesso depende da ajuda de outras pessoas. Mas elas só irão nos ajudar caso se sintam atraídas por nós e tenham confiança em nossos propósitos.

 

Em tempos de crise, mais do que nunca, queremos nos aproximar de pessoas íntegras e fazer negócios com elas.  Este é o imã capaz de atraí-las, de fazer com que se juntem a nós. Em última análise, tal aproximação depende justamente de nossa integridade diante das situações limítrofes que a crise nos coloca. É possível e imprescindível. Para, de fato, não cair na tentação mortal de sobreviver à custa de expedientes danosos, mas sim viver plena e corajosamente.

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