O melhor líder de todos os tempos

Em encontro com os líderes das academias BioRitmo, perguntaram-me sobre liderança. Sempre será um tema em voga. Milhares de livros são escritos sobre o assunto, abordando lideranças empresariais – Bill Gates, Sam Walton, Jack Welch, Steve Jobs, para citar alguns exemplos – e também históricas: Alexandre, o Grande, Churchill, Gandhi, Hitler, Napoleão, Moisés, São Paulo e até Jesus Cristo.

A preocupação com o tema não é de hoje. Vem de centenas de   anos. Desde o tempo de Platão, na Grécia antiga, discute-se o que faz um líder ser líder. Era, também, algo na mira de Voltaire, durante o Iluminismo.

No encontro de líderes da BioRitmo, recorri ao Velho Taful, personagem do “O Velho e o Menino”, em uma de suas cartas ao jovem com quem dialoga ao longo do livro.

Ilmo. Aladim

Chefe, principal, maioral, capitão, cabeça, caput, capo, mestre, patriarca, prócer, comandante, dirigente, coordenador, orientador, guia, mandante, gerente, diretor, presidente, rei, imperador, cacique, caudilho, mandachuva, morubixaba, tuxaua, czar, sultão, soberano, governador etc. Nomes, apelidos e alcunhas não faltam para identificar quem manda ou exerce influência.

Ao longo da história, encontramos bons e maus monarcas, bons e maus chefes de estado, bons e maus gestores. O que sempre diferenciou um bom líder de um mau líder não foi a denominação, mas o exercício da liderança.

Nas empresas, a ciência da administração sempre teve grande influência na concepção do perfil ideal de líder e empresta-lhe, agora, uma nova alcunha: o administrador.

Mesmo que se queira dar uma base científica à função do administrador, o que verdadeiramente importa na prática da liderança vem das mais remotas eras. Dos tempos em que o líder se sentava ao redor de uma fogueira junto de seus liderados e, nesse ambiente aquecido e acolhedor, todos conversavam sobre as suas mazelas e desafios.

Já naquela época e ainda hoje, o melhor líder é quem toma a iniciativa de acender a fogueira, como um claro convite a que os demais se sentem, em círculo. A fogueira, hoje, recebe outro nome: propósito. O líder oferece um propósito para que os liderados também acendam a fogueira dentro de si.

O bom líder – seja de que tempo for – é aquele que sabe incandescer o breu da vida de seus liderados. Mantém o coração da equipe aquecido. Naquele tempo, o calor era físico, diante do frio brutal e das ameaças da selva. Hoje, é o calor encorajador diante do frio psicológico, diante da nova selva, o tenebroso mundo na entropia.

O bom líder de todos os tempos é aquele que deixa o acampamento preparado para quem virá depois dele. Embora tenha havido tantas guerras e disputas, os melhores líderes não foram os guerreiros sanguinários, mas sim os movidos por colaboração, altruísmo e solidariedade. Esses despertam em seus liderados o desejo de servir e de dar sentido à vida.

Finalmente, o melhor líder de todos os tempos é aquele que sempre sabe que não é a sua visão o que mais importa, mas a visão de todos. Só o sonho que se sonha juntos se transforma em realidade, sempre ao redor de uma fogueira que represente a chama que arde em cada um.

Do seu

Velho Taful

Convenhamos, é material para uma consistente reflexão.

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