O efeito perverso do velho mito

Muitos acreditam, de verdade, no mito do líder nato. Sei que essa discussão é antiga. Já foi assunto de outros textos. Neste quero salientar que o pior que pode acontecer a um líder é considerar-se um líder nato. E por que? Porque líderes natos, inebriados com a sua superioridade, não aprendem a se esforçar nem a lidar com os reveses. Esse é o efeito perverso de uma crença equivocada.

Quem pensa ser ungido com dons naturais não sabe lidar com o fracasso. Afinal, até por esse mesmo motivo, sequer considera fracassar, graças a seus talentos natos. O máximo que consegue admitir é que fatores externos dificultam a sua liderança.

A opinião que você tem a seu respeito afeta profundamente a maneira como leva a sua vida profissional, em particular o exercício da liderança. Quando você acredita piamente ter nascido líder, o sucesso consiste em provar que você é isso mesmo, um líder talentoso. Trata apenas de perseguir aquilo que alimenta a sua necessidade de autoafirmação. O empenho inclui fugir tanto do fracasso como dos desafios capazes de jogar por terra o mito do líder nato.

Algo a fazer diante da armadilha desse mito? Sim. Melhor seria se, como todo mortal comum, você passasse a acreditar que não existem líderes natos. Pensar assim talvez não seja tão recompensador para o ego, mas uma coisa é certa: você se abriria mais ao aprendizado e ao desenvolvimento. Com chances, portanto, de descobrir e aperfeiçoar seus talentos, para, aí sim, ampliar competências de liderança.

Faça um teste: se tivesse que escolher, qual seria a sua preferência: um alto nível de sucesso e reconhecimento ou muitos desafios?

O líder que se considera nato certamente cravaria na primeira opção, enquanto o líder que sabe que precisa aprender preferiria enfrentar novos e maiores desafios.

O fato é que o mundo não se divide entre os natos e os inatos ou os talentosos e os não talentosos. O mundo se divide entre os que se empenham no aprendizado contínuo e os que nem se esforçam nem aprendem.

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