Muito além do QI

No que se refere ao QI (quociente intelectual), o computador é imbatível. Não dá para concorrer com ele. Estamos em fase de Fuvest, de exames vestibulares. Sorte dos candidatos, que não têm de disputar vagas com os computadores. Estes conseguiriam as notas máximas, com direito a ocupar todas as vagas nas universidades. São invencíveis na arte da memorização e de escolher a opção correta. Estranho que os critérios, na escola, sejam esses: a capacidade de armazenar informações e de oferecer a resposta certa.

Nas empresas também não é diferente. É só examinar os currículos vitae utilizados para se obter uma vaga, que logo se observa tratar-se de uma sequência de habilidades e conhecimentos estocados naquela fase da vida que recebe o nome de experiência.

– O que você sabe sobre tal coisa? Como se faz isso? – são as perguntas implícitas que os currículos respondem. Mas tal experiência dura só o tempo antes da chegada do computador que, como disse, são imbatíveis. Tão logo a máquina tenha condições de responder e fazer algo novo, ninguém será capaz de tomar o seu lugar, com a vantagem de assegurar um índice de acerto de 100%.

Se o QI está sendo dominado pelos computadores, então devemos nos aprimorar no QE (quociente emocional). Em tudo que o computador não pode aprender, como relacionar-se, decidir em consenso, ouvir com empatia, administrar conflitos e lidar com as frustrações com maturidade.

A depender da escola, existem dois problemas pela frente: qual é o currículo escolar que ensina essas coisas? Que tipo de exame vestibular considera tais aspectos?

Deixemos as questões acadêmicas para os educadores e vamos tratar das que surgem em outro tipo de escola: a empresa. Nesta, principalmente na de tendência mais humanista, já se promove o aprendizado voltado ao QE (quociente emocional). No ambiente em que a alma da empresa esteja presente, pratica-se a comunicação e o relacionamento, a negociação e a administração de conflitos, a arte de ouvir e a qualidade de diálogo, o exercício da empatia. Esse conjunto de aprendizagens faz com que o empreendimento não seja composto por humanos autômatos que, no máximo, se assemelham aos computadores. Ali reina uma alma, capaz de evocar as almas de todos que nela trabalham.

Mais do que manter estoques de conhecimentos, contar com almas que sabem sobre afeto, compaixão e humanidade. Afinal, essa é a verdadeira vocação do ser humano. 

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