Uma nova estratégia para o bem dos negócios

 “ Mais para mim ” é a cantilena da velha economia. Egocentradas, as empresas que permanecem nesse estágio ultrapassado colocam o lucro sobre todas as coisas. Com isso, reforçam a cultura do individualismo, interna e externamente. Na mesma vibração, lá fora a competição fundamenta e explica tudo, incentivando a concorrência predatória no mercado e as descaradas manhas e artimanhas nas negociações. E, dentro, estimula as disputas, seja pela vaga, antes da admissão, ou pelo cargo, depois da contratação – claro, entre outras rivalidades.

Na velha economia, as empresas vivem como se o mundo lhes devesse alguma coisa, não o contrário. Reflexo de um modelo de liderança em que os chefes, dotados de todos os privilégios, ficam no andar de cima e comem um cardápio diferenciado, em área privativa nos refeitórios. Viram as costas tanto para os funcionários como para os clientes, igualmente desconsiderados pelo conjunto de integrantes da empresa.

Na velha economia, fomos treinados para nos defender das ameaças, sempre prementes, e dos embates, sempre latentes. Não fomos educados para enxergar as oportunidades e conquistar a paz. Dê só uma olhada no que a mídia eletrônica mostra diariamente nos telejornais, no que oferece a indústria do cinema com seu catastrofismo, nos videogames a que até as crianças têm acesso irrestrito. A violência tem mais espaço do que a paz, a competição dá mais ibope do que a colaboração, o egoísmo prevalece sobre o altruísmo e o mal, sobre o bem. O pior de tudo é que a sociedade considera natural esse conjunto de crenças infundadas.

Na velha economia, representada por uma arena de guerra, acredita-se no salvador da lavoura, no herói nacional, no velho exemplo: “coloque a máscara de oxigênio em você”, antes de ajudar o outro. As crenças equivocadas sobre a natureza humana são reforçadas a cada dia: “é egoísta por natureza”, “as pessoas não são confiáveis”, “você dá a mão e querem o braço”, “a maioria está preocupada só consigo”, “não enxerga nada além do próprio nariz”. Acabaram, então, gerando a cultura da autoajuda, da terapia, da obsessão com o eu, do narcisismo e do “salve-se quem puder”.

A lamentável constatação é que a velha economia não trouxe mais felicidade nem transformou o mundo em um lugar melhor para se viver. Tanto para os excluídos como – pasme! –  para os incluídos.

É para ser assim?

Quando presenciamos alguma vilania, dizemos “ah, isso é da natureza humana”, como se uma parte dela representasse o todo. Tal parte existe, mesmo. É real e tem nome: cérebro réptil, a área mais primitiva do nosso principal órgão.  Instintivo, concentra-se exclusivamente na autopreservação, sempre alerta para qualquer perigo, seja ou não verdadeiro.

Acontece que o cérebro réptil foi treinado ao longo de milhares de anos, enquanto deixamos outro, o cérebro empático, adormecido. Possuímos esse recurso, também, mas dele fazemos pouco ou mesmo nenhum uso, se compararmos os estímulos que recebe diariamente em relação aos destinados à utilização do outro.

Empatia envolve colocar-se no lugar de alguém, para entender seus sentimentos e percepções, no intuito de compreender tal pessoa. O poder e a importância da empatia está mais na intenção de dar atenção e se interessar pelo outro do que em tentar adivinhar seus sentimentos e percepções, algo que não somos capazes de fazer com precisão.

O que mais importa é que a empatia humaniza. Ao ser praticada, transforma a empresa em uma comunidade de trabalho onde a intenção de aceitar e compreender uns aos outros altera o clima do habitat. Sim, porque uma proeza de tal magnitude não se conquista via normas, regulamentos e mera vontade individual, mas pela mudança no modo como as pessoas se tratam, mesmo – e até principalmente – em meio à agitação do dia a dia.

Nada mais eficiente do que a empatia para sairmos do ego-envolvimento, estágio primário de vida em que os nossos interesses e necessidades nos parecem as prioridades absolutas, no mundo. Nada mais eficiente do que a empatia para compreender que concessões precisam ser feitas a todo momento, se quisemos viver em plenitude. Nada mais eficiente do que a empatia, portanto, para transformar concessões em necessidades vitais.

A empatia como estratégia

 

Gostamos de viajar para outros países e de conhecer novos lugares. Muitas vezes fazemos isso de maneira displicente, ensimesmados, sem sair de nós mesmos, o que se traduz em minguado conhecimento e parca aprendizagem. Para evitar tamanho desperdício, nada como enfrentar prazerosamente o desafio da empatia: substituir a viagem turística, de olhar ligeiro, para a viagem empática, de olhar atento. No lugar de quem eu gostaria de me colocar na primeira oportunidade? O resultado é tão amplo que vai lhe mostrar com toda clareza que as viagens turísticas não ensinam tanto quanto as viagens empáticas.

 

O cotidiano de trabalho e negócios pode e deve ser traduzido em viagens empáticas, ao invés das burocráticas e superficiais viagens turísticas. A empatia disseminada internamente como cultura vai refletir também para o ambiente externo, como um novo jeito de fazer negócios. Enquanto o cliente for tratado meramente como um meio para se obter lucros, ele se sentirá como objeto, não sujeito da relação. Permanecerá comprador na ausência imediata de outra alternativa, mas logo migrará para uma empresa que lhe dê mais atenção.

Imagine como o cliente se sentirá feliz e satisfeito ao ser atendido por uma equipe que pratica a empatia e como ele responderá com generosidade.

Enquanto a velha economia agoniza, mas não morre, a Nova Economia dá o ar de sua graça, nas mentes e corações solidários. A empatia é a nova estratégia para migrar do ego para o alter. Ela reaviva a esperança de criar um ambiente solidário, preconizando um equilíbrio entre olhar para dentro e olhar para fora. É nessa conexão que encontramos sentido e propósito nas relações de negócios. O eu só se acerta e só cresce com o outro.

É importante lembrar que a empatia não nos torna apenas bons, pela proximidade com o outro, mas nos faz bem. É uma brilhante via de mão dupla, de mútuos benefícios. Essa é a Nova Economia, em que o comércio e os negócios efetivamente ajudam a criar um mundo melhor. Para todos.