Mergulhe no adorável mistério

Um velho amigo costumava dizer, com certa ironia, que “a convivência leva ao desprezo”. Exagero à parte, o fato é que tendemos, sim, a colocar nossos relacionamentos no piloto automático. Acontece em casa, na família, na empresa. Nesta, não afeta apenas a convivência entre os colegas de trabalho, mas também o contato com os clientes.

Em casa, o homem pensa que conhece bem a sua esposa, os pais pensam que conhecem perfeitamente os filhos; no mundo corporativo, líderes pensam que conhecem seus colaboradores e empresas pensam que conhecem seus clientes. Ledíssimo engano!

Conhecemos os objetos e suas utilidades, mas pessoas não são objetos, muito menos utilitários. Pessoas são sujeitos. Mais que isso. Pessoas são sujeito em processo, ou seja, em contínua mudança. Moral da história: ninguém conhece ninguém. A pessoa que você conheceu no ano passado não é mais a mesma hoje. Muitas coisas já se passaram em sua vida. O mesmo raciocínio vale para alguém com quem tenha conversado há um mês ou com quem esteve ontem.

Um dos aprendizados mais importantes dos processos de educação da Metanoia é sobre relacionamentos. Saber mais sobre eles e como funcionam, no entanto, não é mais importante do que aprender a relacionar-se.

Uma das metodologias que usamos é a “Operação Curiosidade”. O nome já declara a intenção: a de procurar, com atenção e interesse, conhecer continuamente um pouquinho mais do outro. Manter sempre acesa tal curiosidade sobre o outro é o que nos faz querer descobrir as suas peculiaridades, sua identidade, seu ser, livre do pressuposto de que tudo já se sabe a respeito, como se os seres humanos fossem absolutamente imutáveis.  Lembrei-me da frase de Bernard Shaw, romancista e dramaturgo irlandês: “a pessoa que mais me conhece é o meu alfaiate. Cada vez que me vê, tira as minhas medidas”.

Todo ser humano é um mistério, para os outros e também para si mesmo. O ímpeto e o interesse contínuo de conhecer o outro, faz com que conheçamos mais a nós mesmos. Ao mergulhar no outro, tentamos descobrir cada vez mais seus interesses, sentimentos, valores, anseios, medos e inquietações. Tal como um espelho, reconhecemos em nós os mesmos traços e inclinações.

Nada se repete, tudo se renova a cada dia. Toda pessoa é um mistério. Recomendo: institua a curiosidade pelo outro em sua empresa! E também em casa.

Relacionar-se é uma adorável e instigante aventura!

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