Manifesto 3: Eu desejo uma comunidade geradora de líderes de comunidades.

A Ciência da Administração vem, há anos, formando administradores de empresas. Com alguma sorte, sobressaem-se alguns executivos de organizações, não necessariamente líderes de comunidades.

 

Eles aprendem, na universidade, que administrar é planejar, dirigir, executar e avaliar. Também lhes ensinam a planejar para o curto, médio e longo prazo, embora o imediatismo com os resultados os leve sempre a deixar para depois o médio e o longo prazos. No ato de dirigir, funcionários, departamentos e áreas são ranqueados, com recompensas para os melhores e punições para os piores. Na execução, reagir prevalece sobre refletir. Na avaliação, adota-se uma administração por objetivos, em que prêmios, planos de incentivo e pagamentos de quotas são utilizados como meritocracia aos melhores desempenhos.

 

As universidades de administração descarregam todos os anos no mercado de trabalho milhares de executivos que se arvoram a liderar empresas ou departamentos. O que aprenderam pode servir a algum tipo de gerenciamento, mas está distante do que seja um legítimo exercício de liderança. Daí conclui-se que há escassez de líderes de verdade, embora no mundo dos negócios não faltem oportunidades, tecnologias, dinheiro, capital para empreendimentos e gente para trabalhar.

 

E o que é um líder de verdade?

 

Para começar, alguém que compreenda o seu papel de gerir uma comunidade. Como frisado nos manifestos anteriores, comunidade é diferente de organização. Enquanto esta última é composta por funcionários, supervisores, encarregados e chefes, a comunidade é constituída por gente. Gente não é cargo nem função, pois tais denominações são destituídas de atributos humanos. São descritas por um conjunto de responsabilidades, tarefas e afazeres e preenchido por alguém que faz.

Gente tem outra amplitude. Compõe-se de dimensões: física, mental, emocional, espiritual. Estas não se enquadram na redução de nenhum cargo ou função. Gente habita comunidades e tem pensamentos, sentimentos e comportamentos. Possui os dons de sonhar, imaginar e criar. Esses dons não encontram espaço nas organizações, sempre tomadas por metas de curto prazo, rotina, descrições dos cargos encaixotados nos departamentos.

 

Eu desejo uma comunidade geradora de líderes que irão gerar outros líderes de comunidades, compondo, assim, uma Nova Economia. Um mundo em que as pessoas possam ser quem verdadeiramente são, por inteiro. Em contínua evolução. Umas apoiando as outras. Generosa e naturalmente.

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