Manifesto 16: Eu desejo retribuir

Se o instinto é egoísta, o espírito é solidário. Em que pese o instinto egoísta em cada ser humano que busca a sua sobrevivência antes de tudo e de todos, o espírito de solidariedade e de colaboração é a garantia da existência e a razão da espécie ainda não ter desaparecido.

Retribuir é um verbo representativo desse espírito de solidariedade e de colaboração que perpetua a espécie. Quando recebemos um presente de alguém, logo pensamos em oferecer algo, de volta. Isso conserva um fluxo de energia, uma corrente generosa de dar e receber.

Tudo começa com outro verbo: contribuir. É o que abre a comporta e libera a energia, que, assim, permanece em fluxo, por meio da retribuição.

Tomemos como exemplo o dinheiro. Foi feito para circular, por isso é também conhecido como moeda corrente ou fluxo de caixa. Dinheiro em circulação é energia que gera negócios, trabalho, relacionamentos e mais dinheiro. Se o fluxo é interrompido, por retenção ou acúmulo, teremos menos negócios, menos trabalho, menos relacionamentos e mais pobreza. É a propalada crise. Então, são as pessoas que fazem o dinheiro circular via contribuições mútuas, relações ganha/ganha. Bem entendido, desde que tais pessoas – não qualquer uma – sejam orientadas pelo espírito de solidariedade e de colaboração, não pelo instinto de preservação e sobrevivência.

 

O mercado é o espaço para onde fluem ideias, insumos, expectativas, materiais, pensamentos, mercadorias, decisões, informações, sentimentos, equipamentos, desejos, produtos, dinheiro, serviços, trabalho, necessidades, emprego etc. É, portanto, uma grande rede da qual fazemos parte. Por isso, quando menos esperamos, apresentamos uma pessoa à outra pessoa e a partir daí poderá ter início um novo empreendimento. Ou somos apresentados para alguém que mudará a nossa vida, ou a uma oportunidade, um lugar, uma empresa. Estamos interconectados. Assim como fomos ajudados, prestamos auxílio e, muitas vezes, sem perceber, tão natural é o gesto.

 

Passamos a compreender o mercado e os negócios como meios através dos quais podemos nos realizar e desenvolver nosso espírito de colaboração e solidariedade. Na interação positiva com os outros, certamente descobriremos que não estamos cercados de competidores. E que não há necessidade de ataque ou defesa. Eles dependem de nós, como nós dependemos deles. Essa harmonia libera toda uma gama de valores que qualificam o ato de retribuir: gratuidade, alegria, generosidade, desprendimento, tudo com a base saudável da confiança.

 

Eu desejo uma nova economia em que a retribuição esteja presente o tempo todo. Como movimento natural e saudável.

 

Eu desejo retribuir.

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