Manifesto 14:Eu desejo ser educador como agente de transformação

Mudança é uma das palavras mais pronunciadas nos ambientes organizacionais. Mudança não é escolha, é condição, diriam alguns, mais afoitos. E assim seguem os discursos dos líderes, dando o tom para que ninguém se acomode no berço esplêndido da sedutora zona de conforto. Mesmo com tantos pronunciamentos veementes, o que mais vemos são pessoas fazendo as mesmas coisas todos os dias na empresa para a qual trabalham e empresas fazendo as mesmas coisas todos os dias no mercado para o qual produzem. Mesmice é um dos codinomes da crise.

O que verdadeiramente gera mudança é a educação. Antes de mais nada, é bom lembrar as palavras de nosso reconhecido educador Paulo Freire: “a educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo”. A partir desse pensamento, podemos dizer que a educação não transforma a empresa. Educação muda pessoas. Pessoas transformam a empresa.

Não pense, no entanto, que a solução seja delegar a educação para o departamento de recursos humanos, desobrigando os líderes desse papel. Há décadas tal equívoco vem sendo cometido, sem êxito. Da mesma maneira que as famílias têm errado ao entregar para as escolas a educação de seus filhos, o mesmo acontece com os líderes que “terceirizam” a educação de seus liderados a uma das caixinhas da estrutura burocrática. É claro que escolas e departamentos de recursos humanos podem auxiliar na tarefa, mas educação é responsabilidade indelegável de pais e líderes.

Talvez a melhor distinção entre chefe e líder seja: o chefe quer mudar a empresa, enquanto o líder quer criar as condições para que as pessoas mudem. Certamente, o chefe se depara com a resistência das pessoas à mudança. O líder, como educador e agente de transformação, reconhece que as pessoas não resistem às mudanças, mas sim a serem instadas a mudar quando essa imposição não tem nenhum significado para elas.

Outra distinção: o chefe vê o seu subordinado como fator de produção, já o líder vê o seu colaborador como um ser inacabado. E aí lembramos mais uma vez de Paulo Freire: “quem não é capaz de amar seres inacabados não pode educar”. Vale o mesmo para os líderes: quem não consegue amar seres inacabados não pode liderar.

Líder que é líder ama o seu colaborador, por isso educa. Abdicar dessa função é negar o que existe de mais nobre no exercício da liderança. Líder educador ensina o caminho e vai junto.

Liderados evoluídos constroem empresas evoluídas. Empresas evoluídas constroem mercados evoluídos.

Eu desejo mudanças de verdade, nas empresas e no mercado.

Eu desejo uma nova economia. Portanto, eu desejo ser educador como agente de transformação.

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