Manifesto 11: Eu desejo inclusão

Está escrito: “no dia em que o Senhor Deus fez a terra e o céu, ainda não havia nenhum arbusto no campo sobre a terra e a vegetação ainda não havia brotado, porque o Senhor Deus ainda não fizera chover sobre a terra nem havia homem para cultivar o solo, extrair os mananciais da terra e irrigar a superfície do solo. Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe as narinas o sopro da vida e o homem se tornou vivo.

Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden e ali pôs o homem que havia formado. O Senhor Deus colocou o homem, feito à sua imagem e semelhança, para o cultivar e guardar”.

É curioso que Deus termine a sua criação com o jardim. Uma concessão, portanto, para que seja cuidado, cultivado e guardado. O jardim é a metáfora do nosso habitat comum. Nele, os seres humanos foram postos. Sem exclusão. E convidados a habitá-lo, como cultivadores e guardadores. Para todos, conforme suas necessidades, de todos, conforme suas capacidades. E assim, dons e talentos se juntam para produzir as riquezas que beneficiam a todos.

Recebemos, portanto, uma procuração, sempre lembrada quando fazemos o sinal-da-cruz, pois é “em nome do Pai” que habitamos e agimos nesse jardim.

E o que veio, depois?  O homem habitou o jardim que lhe foi dado, mas embaçou as lentes. Já não o via com olhos de abundância, tal como fora criado, mas com olhos de escassez. Se Deus criou a abundância, o homem inventou a escassez. Com a escassez, a exclusão.  E a segregação de credo, de cor e raça, de mutilados e deficientes, de pobres e oprimidos. O território do jardim tão naturalmente pródigo foi separado como se divide uma área em capitanias. E trataram de assegurar, por meio da força e do poder, que elas fossem hereditárias.

Quando acham que nem todos podem habitar o mesmo jardim, pois o que existe não é suficiente e cada um tem de competir ferozmente para garantir a sua parte, a disputa se instala e se expande, comandada por quem tem olhos de escassez. A partir daí, torna-se urgente curar a única debilidade que impede a geração de riquezas: a deficiência espiritual.

Eu desejo uma Nova Economia, que se paute pela inclusão.

Eu desejo a inclusão de todos os seres humanos em seu habitat. É um direito. Inalienável.

Eu desejo a inclusão.

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