Manifesto 1: Eu desejo que as empresas sejam comunidades.

A palavra “comunidade” tem raízes antigas, remonta à base indo-europeia mei, que significa “mudança” ou “troca”. Aliou-se a outra raiz, kom, que quer dizer “com”, para produzir kommein, ou seja, compartilhada por todos. Então “mudança compartilhada por todos” é bastante próxima do sentido de comunidade que queremos dar à empresa da Nova Economia.

Assim, como uma comunidade de trabalho, a empresa difere da convencional, criada há cerca de um século. Já a comunidade no sentido histórico existe desde que o ser humano tornou-se gregário. Curiosamente, o empreendimento da Nova Economia bebe nas tradições milenares, atemporais, universais e que têm sustentado a humanidade desde sempre.

A organização tornou-se insuportável para as gerações mais antigas, acostumadas ao trabalho apenas como fonte de sustento. É também inviável para as gerações mais novas, habituadas a viver a liberdade nos espaços livres da internet e da tecnologia, e que não se sentem atraídas por um tipo de atividade condicional e condicionante.

 A organização tradicional se baseou na burocracia e na rotina. Condenou legiões de pessoas ao piloto automático e à anomia, ao retirar a alma do trabalho. Instituiu a carreira, um trajeto previsível para ser seguido ao longo de toda a vida.  

A velha economia transformou cada pessoa em um funcionário-objeto, com seu trabalho-objeto, produzindo bens e serviços objetos, para um mercado-objeto, tendo como fim um planeta-objeto.

Um grande prejuízo gerado pela velha economia está na mecanização da mente humana, incapaz de discernimento e de opinião própria. Mas talvez esse não tenha sido ainda o maior agravo. A ausência de desejo, essa sim uma imensa perda, faz da vida um andar a esmo, sem eira nem beira. É nesse vazio que se instala a carência, gerando seres humanos viciados em preocupação e eternamente insatisfeitos.

A Nova Economia, por meio de uma obra geradora de riquezas nas quatro dimensões, traz o resgate dos valores duradouros sobre o imediatismo da velha economia. Reaviva, também, as lealdades e compromissos mútuos em ambientes de trabalho onde tudo, inclusive os seres humanos, transformou-se em objetos descartáveis. 

O maior desafio que enfrentamos é fazer com que cada pessoa viva a sua humanidade, como sujeito e não objeto de seu tempo. Uma pessoa-sujeito vai criar e elaborar um trabalho-sujeito, em uma empresa-sujeito, que atua em um mercado sujeito e que trata seus clientes, fornecedores e investidores como sujeitos, viventes de um mesmo planeta também sujeito.

Por isso, eu desejo – na certeza de contar com sua concordância – que as empresas sejam comunidades.

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. Campos obrigatórios*