Lavre, antes de semear

Daniel Goleman foi muito feliz quando destacou e batizou a inteligência emocional, dentre as múltiplas que o professor Howard Gardner, junto com a sua equipe, havia compilado nas pesquisas feitas em Harvard.

As emoções contam muito, sem dúvida. Para um lado ou para o outro! Tanto podem impulsionar para que um propósito se realize, quanto podem minguar a energia de um grupo de trabalho, caso seja desperdiçada em conflitos. Em suma, para o bem ou para o mal, as emoções são determinantes.

No processo da Metanoia, adotamos a seguinte analogia: é preciso preparar a terra, antes de adubar e plantar a semente. A terra, nessa metáfora, está no lugar da inteligência emocional. Assim, antes de definir um propósito e a estratégia para concretizá-lo, é fundamental cuidar das emoções. Se devidamente cuidadas, farão com que a estratégia tenha força suficiente para a realização do propósito. Caso contrário, nada irá acontecer ou mesmo, e pior, pode ocorrer um retrocesso.

O que já aprendemos com a experiência da Metanoia é que um bom propósito e uma bela estratégia de nada valem se descuidarmos das emoções, antes de tudo.

E o que vem a ser preparar a terra ou cuidar das emoções?

Sabe aquela gripe que nos vitima justamente em feriados prolongados ou aquela dor que dá o ar da graça quando o corpo se tranquiliza? Pois bem, camuflamos dores e vírus. No frenesi diário, não paramos para prestar atenção em nossos sentimentos e emoções, muito menos nos daqueles que nos cercam. Tocamos em frente, atentos apenas a metas financeiras e resultados econômicos que jamais consideram as emoções envolvidas.

Usar a inteligência emocional – sim, porque ela existe, embora seja desconsiderada – é conhecer as próprias emoções. Reconhecer um sentimento, quando ele surge.  Dar nome a ele. Pensa que é fácil? Experimente dar nome aos seus sentimentos, tão logo se expressem, e veja qual o grau de intimidade que você tem com eles. Reconhecê-los, assim que surgem, recebe o nome de autoconsciência.

Inteligência emocional é, também, identificar sentimentos e emoções dos outros. Dentre todas as elencadas por Gardner e sua equipe, é a que eles denominaram de inteligência interpessoal. Exige o exercício da empatia, prática enferrujada na maioria das pessoas.

Quem não faz bem a primeira parte – conhecer os próprios sentimentos e emoções – é incapaz de reconhecê-los nos outros.

O assunto é mais amplo e já tratamos dele outras vezes, mas é bom relembrar, porque sempre será – ao mesmo tempo – um tema recorrente e urgente. Ter uma equipe em que as relações sejam produtivas conta mais do que uma estratégia bem traçada e qualquer plano de metas.

Portanto, lavre a terra antes de semeá-la. Sempre!

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