Ilustres desconhecidos

“Conhece-te a ti mesmo”, frase muitas vezes atribuída ao grande filósofo Sócrates, de tão parecida com sua maneira de pensar, foi dita por seu discípulo Platão, no pátio do Templo de Apolo em Delfos, na Grécia. De lá para cá, a epígrafe atravessa os tempos e continua tão verdadeira como atual.

É, antes de tudo, um apelo ao autoconhecimento. Quantos se dedicam verdadeiramente a isso? Conhecer-se é a maneira mais eficaz de aprender sobre a natureza humana e, a partir daí, compreender também os outros. Podemos estudar biologia, psicologia, antropologia, sociologia e filosofia, mas se quisermos conhecer de verdade a natureza humana, nada vai substituir o autoconhecimento.

Quem já não ouviu ou mesmo disse algumas vezes: “não consigo compreender fulano”? A verdadeira razão que nos impede de nos conectar com os outros é a ignorância a respeito de nós mesmos. Então, a frase sensata seria: “não consigo me compreender”.

Sabemos como é importante a empatia para elevar a qualidade de nossos relacionamentos, mas como colocar-se no lugar do outro sem antes nos situar-nos, sabendo quem e como somos? É espantoso reconhecer que mesmo estando conosco o tempo todo – e você sabe que isso é certo -, somos para nós mesmos ilustres desconhecidos.

Compreender a natureza humana depende de conhecer o conjunto de crenças, valores, percepções e emoções que a constitui. Embora possamos aprender sobre o que significa cada uma dessas partes, a compreensão só se dará se, antes, conhecermos e compreendermos as nossas próprias crenças, valores, percepções e emoções, ou seja, tudo o que criamos, pensamos e sentimos. Implica dar nome a nossos valores, pensamentos, sentimentos e emoções.

Diante da máxima “conhece-te a ti mesmo” acrescento outra: “quem conhece, reconhece”. Se somos capazes de nos ler, então estamos aptos a ler os outros, facilitando a conexão, a sintonia, a relação e o bem-estar na convivência.

Precisamos deixar de apenas “existir” para “viver” de verdade, avançando de nossa “biologia” para a nossa “biografia”. É isso que nos faz humanos e capazes de compreender a natureza humana. Para tanto, nada como retornar ao grande filósofo Sócrates, arrematando com seu ensinamento: “uma vida não examinada não merece ser vivida”.

Falou e disse! Pratiquemos, portanto.

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