Fogo ardente.

A história do mundo é uma história de guerras. Já começa na Era do Gelo, avança com os homens das cavernas, passa pelo antigo Egito, invade a Mesopotâmia, continua na Palestina, é contada por Homero na Grécia Antiga, prossegue na Pérsia e na Babilônia. Nenhuma civilização consegue permanecer ilesa, incluindo as da Índia, China, Macedônia e de Roma.

Quantas lutas entre os povos deste pequeno planeta!

Os hunos, os godos, os nórdicos, os saxões, os vikings. O Oriente dos turcos e árabes e o Ocidente dos ingleses, franceses e espanhóis. A Guerra dos Cem Anos, a Guerra dos Trinta Anos, A Guerra dos Sete Anos. Napoleão, Hitler e Bush. Soviéticos e americanos.

Sem contar os combates, levantes, rebeliões, revoluções, guerrilhas, batalhas étnicas, intentonas e emboscadas.

Com tal retrospectiva, parece que a espécie humana não fez outra coisa exceto guerrear. Não por acaso, o saudoso Millôr dizia: “o homem é o macaco que não deu certo”.

Apesar de tantas guerras, como nós continuamos existindo? Noves fora tamanha desumanidade, somos programados para a solidariedade. Talvez por ser mamífera de sangue quente, a espécie humana nasce prematuramente e necessita ser cuidada. Dentre todas, somos a que mais dependemos de amor e cuidado, para vingar.

O ser humano é solidário, em que pese a força do instinto e os impulsos do cérebro reptiliano. Cuidado, compaixão, solidariedade, altruísmo são qualidades especialmente humanas.

Recentemente estive no Vietnã, país que viveu um dos mais ferozes conflitos do século vinte. Como um confronto entre Davi e Golias, o Vietnã, precariamente armado, foi bombardeado pelos Estados Unidos com a mais poderosa tecnologia militar do planeta. Diante daquele massacre atroz e desproporcional e das inúmeras bombas lançadas sobre o território vietnamita, restaram mutilações e destroços humanos. Era possível esperar que ambos os povos jamais conseguiriam mirar-se nos olhos.

Décadas se passaram na sequência de tão infeliz página da história, e o americano é o povo que mais visita o Vietnã, depois dos franceses, pois aquele país, quando Indochina, foi colônia da França.  Entre os turistas estão familiares de ex-combatentes, em busca dos rastros de solidariedade e amor deixados entre os soldados de ambos os lados, indiferentes às patologias dos governantes. Romances entre norte-americanos e mulheres vietnamitas geraram filhos. São frutos do amor, uma força poderosa, capaz de irradiar luz muito mais intensa do que o fogo das bombas destruidoras.

Sim, somos programados para amar, servir e solidarizar.  Para isso, temos que ultrapassar o que bloqueia o acesso a nossa verdadeira essência.

Estamos fadados, sim, a ser generosos, compassivos, altruístas e solidários. Para sempre, ao longo de toda nossa vida.

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