Faça do seu trabalho uma benção

“Sou o que faço” é a frase dita por quem escolheu seguir um plano de carreira, muitas vezes sem saber ao certo quando e porquê. Trabalhei por quinze anos em uma instituição financeira para descobrir, ao completar os trinta de idade, que aquilo tudo não me dizia respeito. Sentia um incômodo que não sabia decifrar e minha intuição assoprava-me que meu caminho não era aquele. Por mais que exercesse o meu trabalho com dignidade, ele, de fato, não conversava com meus dons e talentos.

O incômodo e a intuição me rondaram por três anos até que eu, finalmente, tomasse uma decisão de nadar contra a maré. Esta, seguida por muito dos meus pares, implicava ter o plano de carreira, fazer os cursos correlatos, graduar-se e pós graduar-se. Mais ainda: se possível, mestrar e doutorar, como quem opta por cavar o mesmo buraco e cada vez mais fundo a vida inteira.

Se acompanhasse a maré, cada vez mais me transformaria em meu cargo ou profissão e nos afazeres pertinentes. Uma forma de me reduzir ao currículo vitae. O risco de prender-se ao cargo ou profissão está em transformar o trabalho em emprego ou em algum tipo de ocupação temporária. Algo que assegura o sustento, nada mais!
Deixei a profissão de lado e fui em busca de minha vocação, aquela voz interior que insiste em nos lembrar porque estamos aqui. Somos chamados para algo e todos temos uma incumbência nesse mundo de Deus. É claro que a vocação pode ser exercida por meio de uma profissão ou cargo, mas ter consciência das distinções é fundamental para não cair na cilada do lugar-comum, o mundo do emprego e do plano de carreira.

Descobri meu tino para a educação e a escrita com a virtude do autodidata. Sempre fui fascinado pelo mundo dos negócios e resolvi empreender. Em meu íntimo, sabia que os negócios existem para oferecer uma contribuição à vida. Poderia fazer isso com o meu negócio e ajudar outros a seguirem pelo mesmo caminho.

“Faço o que eu sou” é a frase de quem vive a sua vocação e, por meio dela, pode exercer profissões e funções existentes ou inexistentes. A maior graça que podemos vivenciar é justamente descobrir a própria vocação e fazer do trabalho uma bênção.

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