Experimente a alquimia de Jonas

Quem deseja descobrir seu propósito precisa fazer contato com seus desejos. Essa é a primeira lição do livro “O velho e o menino”. Aladim aprende com o Velho Taful as boas origens do desejo.

Muitas vezes, ao pensar em nossos desejos, fazemos o caminho inverso, ou seja, buscamos aquilo para o que temos algum tipo de aversão e, a partir daí, constituir um desejo. A aversão representa aquilo que não queremos ou não gostamos, algo do que pretendemos nos afastar ou combater, ou que, se dependesse de nós, deixaria de existir.

O problema de buscar nossos desejos concentrando o foco em aversões é que estas geralmente encobrem sentimentos não muito saudáveis, como a irritação, a contrariedade e o aborrecimento, quando não em outros bem mais ácidos, como o ódio, a raiva e o medo. Desejos oriundos de aversões não possuem sementes nos bons sentimentos.

Por outro lado, as nossas aversões podem nos dar boas pistas para descobrir os melhores desejos. No livro, cito o chamado de Jonas, uma proposta de Deus para que ele tivesse um propósito: ir à Nínive e libertar seu povo da corrupção e da perdição. Jonas tinha aversão à Nínive e a seu povo. Mas soube fazer a alquimia da aversão para o desejo e aceitou o chamado.

A alquimia que transforma aversão em desejo é capaz de mudar os sentimentos que estão na base de um e de outro. Vai exigir humildade de admitir o quanto o mundo não está armado para o nosso gosto e o discernimento de compreender e aceitar que as pessoas não estão aí para fazer as nossas vontades.

Aversões são produzidas por nosso ego e gostos pessoais. São setas no sentido contrário. Redirecionadas para a alteridade, ou seja, aquilo que é bom para os outros, têm grandes chances de se transformar em bons propósitos. Essa foi a alquimia de Jonas.

Nossas aversões possuem energias que podem ser transformadas em posicionamentos corajosos e compassivos. A alquimia dos sentimentos é que vai transformá-las nos melhores desejos e em desafiadores propósitos. Siga o exemplo para vivenciar a diferença!

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