Exercite a sutileza.

Liderança é o exercício das sutilezas, qualidade dos que têm apurada capacidade de percepção. Assim como a liderança, as palavras também são sutis. Podem indicar uma coisa ou outra. Isso depende, muitas vezes, de uma única letra. E aí muda o sentido do entendimento. Mais do que recorrer ao dicionário, é importante reconhecer o que cada termo ou palavra diz ao nosso próprio entendimento. Veja alguns a seguir.

 

Discriminação e discernimento

 

A qualidade da liderança tem relação direta com o olhar do líder sobre seus liderados. Pode ser um olhar discriminatório, portanto feito de imagens preconcebidas. Ou pode ser um olhar de discernimento, próprio de quem compreende e aceita as pessoas, tanto no que elas têm de bom e contributivo, como no que têm de negativo.

Substituir a discriminação pelo discernimento faz parte da sutileza na liderança. Não pense que a distinção faz pouca diferença. As práticas e os resultados da liderança serão consistentemente diversos.

 

Acordo e compromisso

 

Fazer um acordo é diferente de honrar um compromisso. O acordo é regido por forças e circunstâncias externas. Mas é muito distante do compromisso, algo regido por forças e valores internos.

O líder não deve buscar acordo com os seus liderados e, sim, o compromisso emocional. O que, quando honrado, produz sentimentos de alegria.

 

Implacável e rigoroso

 

Implacável é o líder que ordena o corte de 20% na folha de pagamentos, sem se importar com quem será degolado. Por ser implacável, há quem o admire e o considere um líder de ação.

Rigoroso é o líder que não é complacente diante da negligência e de quem não honra os compromissos assumidos. Assim, à primeira vista, um líder rigoroso pode parecer implacável aos olhos de quem o vê decidindo e agindo. Mas um líder rigoroso sabe que decide e age com base nos valores, não nas emoções.

 

Conserto e concerto

 

Muitos líderes são bons resolvedores de problemas. Para eles, a empresa é como uma oficina de reparos e compreendem seu papel como o de quem está ali apenas para consertar.

Consertar é diferente de concertar. Uma única letra, uma nova história. Consertar é reparar, para deixar as coisas do mesmo jeito. Concertar é buscar a harmonia das partes, a participação nas decisões, a consonância dos diversos pontos de vista.

 

Zona de conforto e campo de serenidade

 

Quando o líder se dá conta de que está na zona de conforto, então resolve se mexer. E coloca todos em movimento. Acredita que esse movimento, muitas vezes frenético, é o jeito que encontrou para sair dessa situação perigosa. Com isso, introduz a pressa na vida e nos negócios, como se tudo fosse uma questão de velocidade.

O desafio não está em sair da zona de conforto, apenas, mas em substituí-la por um campo de serenidade que, para alguns, pode parecer um espaço de calma e lentidão e até de letargia, mas o caso é outro. A pressa não é uma qualidade nem a velocidade, a solução. Pois o segredo não é correr o máximo possível nem o dobro dos outros, mas caminhar com constância numa rota cuidadosamente traçada. Ainda que com senso de urgência. E isso recebe o nome de serenidade.

É a sutileza que faz a excelência na liderança. E são os líderes excelentes que constroem empresas também excelentes. Experimente!

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