Essas coisas de brasis.

O Brasil tem cheiros. Aquele do feijão pretinho borbulhando na panela, o que surge de sua mistura com o arroz, o do cafezinho coado na hora e servido na caneca de ágata com bolo de fubá, o do pão de queijo.

O Brasil tem gosto do sanduíche de mortadela, do romeu com a julieta, um romance à parte, da pamonha, da paçoquinha, da farinha de mandioca, da rapadura.

O Brasil tem sons, da viola caipira, das canções de Socorro Lira, do Carinhoso de Pixinguinha, dos sambas de Cartola, do chorinho, da Inezita Barroso, do Sr. Brasil, do Gonzaga, Buarque, Jobim e Villa-Lobos.

O Brasil dança no pé de serra, no frevo, no maracatu, nos passos de Antonio Nobrega e Carlinhos de Jesus.

O Brasil se embriaga com a água que passarinho não bebe e se refresca com a água de coco e a garapa.

O Brasil se inebria com a Amazônia, o luar do sertão, a estrela d´Alva, o Jequitinhonha.

O Brasil se eleva com Paulo Freire, Sebastião Salgado, Portinari, Darcy Ribeiro, com as bandeirinhas do Volpi, os profetas do Aleijadinho e o sentimento vivo nas cores e formas de Elifas Andreato,

Brasil se dignifica com o barroco mineiro, a rede na varanda, a Sala São Paulo, a Universidade do Pintor.

Brasil se diverte com a literatura de cordel, os repentistas, as lendas, as piadas de português.

Brasil se emociona com a poesia de Manoel de Barros e Adélia Prado. E, claro, com a saudade – uma palavra única e sem tradução em nenhuma outra língua, para um sentimento bem verde-amarelinho.

O Brasil acarinha, com os beijos na face, os abraços de verdade, os acenos de despedida e boas vindas.

O Brasil se orgulha do futebol-arte, das torcidas organizadas, da seleção canarinho, do olé.

O Brasil se envaidece das morenas dos olhos d´água, das garotas de Ipanema, das caboclas terezas, também batista-cansada-de-guerra, das Marias, Marias, da Ave Maria.

O Brasil ouve os gorjeios alegres dos sabiás, dos bem-te-vis, dos japiins, das araras, das maritacas e dos papagaios.

O Brasil dialeta “oxente”, “tchê”, “uai”, “meu rei”, “tchau”, “ô meu”.

O Brasil se mistura e cria novos matizes entre brancos, índios, negros, mulatos, cafuzos, mamelucos, caboclos. E tinge o olhar com os azuis e verdes e cinzas dos imigrantes. Para formar o povo brasileiro.

O Brasil do Chico Bento, da minâncora, da havaiana e do guaraná.

O Brasil da simpatia, da figa, da benzedeira, de Santo Antônio, de São Longuinho e de São Nunca.

Salve a nossa valente e calorosa Pátria Amada Brasil!

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