Esquizofrênico, eu?

Somos pessoas! E, cada um de nós, mais de uma, para complicar ainda mais as nossas relações. Segundo o renomado psicólogo William James, criador do conceito de pragmatismo, individualmente somos, no mínimo, três diferentes pessoas: aquela que pensamos que somos, aquela que os outros pensam que somos, e aquela que verdadeiramente somos.  Repare no que isso vai dar! E imagine o prejuízo que pode resultar, quando ficamos profundamente divididos e à deriva, sem alinhar essas três pessoas.

Você, assim como todos nós, possui uma autoimagem. Ela é quem você representa, para si. É ela que você imagina agindo e reagindo às situações do dia-a-dia.  Embora atue na certeza de estar fazendo o melhor, nem sempre suas atitudes e comportamentos serão aprovadas pelos outros. Isso porque os outros enxergam uma imagem diferente dessa que você acredita ter. O problema é que quando muda o protagonista, muda a cena, o enredo, a história. E saiba que, para isso, não é preciso dizer uma palavra sequer! Transmitimos mensagens, queiramos ou não. Imagens diferentes, enredos diferentes!

Tal realidade se agrava ainda mais quando alguém tem um primeiro contato com você. Algumas pessoas se acham capazes de definir a personalidade de alguém desconhecido   apenas com uma troca de olhares ou com um ligeiro aperto de mãos. Como esse primeiro contato é muito superficial, o enredo completo é preenchido com dados e percepções que não estão “do lado de fora”, mas dentro da própria pessoa que o engendra.  Isso recebe o nome de preconceito, algo altamente nocivo nas relações humanas, mas fartamente aplicado. Infelizmente, a primeira impressão costuma perdurar. Até porque quem é preconceituoso trata de pinçar elementos capazes de reforçar a sua conclusão.

Todos esses agravantes são razões para os conflitos humanos. Mas também são os nossos maiores desafios, pois ao encará-los temos oportunidade de crescer e nos tornar pessoas melhores, caso soubermos vivê-los com consciência.

Algumas pessoas possuem uma “taxa de esquizofrenia” mais baixa, ou seja, a sua maneira autêntica e aberta de viver faz com que as imagens projetadas sejam próximas do que essas pessoas realmente são. Outros, infelizmente, possuem vieses elevados de percepção, vivendo personagens muito díspares nas suas atitudes e comportamentos. Nem é preciso dizer o quanto isso é prejudicial para o trabalho e qualidade de vida.

A nossa autoimagem precisa representar quem verdadeiramente somos, da mesma forma que a imagem construída pelos outros também precisa corresponder à imagem real. O exercício diário e contínuo de alinhar essas imagens é o nosso desafio de ser humano.

Para isso, temos de melhorar a nossa qualidade de diálogo. É bem mais seguro e ameno falar do tempo, dos jogos do campeonato de futebol e dos programas de televisão, mas se quisermos de fato alinhar nossas imagens, precisamos conversar mais sobre sentimentos e pensamentos, ouvir com atenção e interesse, especialmente o que não vamos gostar de escutar.

A sorte de trabalhar em uma empresa progressista é que o desafio de ser humano faz parte do trabalho e é tão importante quanto gerar riquezas nas demais dimensões. Só assim continuaremos a construir e ampliar esses pequenos mundos do trabalho, com uma imensa capacidade de transformação – para muito melhor – do próprio planeta em que vivemos.

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