Escape da crise!

Parecem iguais e não são. Da família, porém diferentes entre si. É como aquela história “filhos dos mesmos pais, mas nem parece…”

É preciso discernimento para reconhecer que mercado e economia, embora muitas vezes sejam tratados como iguais, são bem distintos.  Mercado existe há milênios, muito antes de Adam Smith dar os primeiros contornos à ciência da economia. Depois vieram outros, como Ricardo, Keynes Malthus e Milton Friedman, apenas para citar alguns.

O mercado se expressa por movimentos de ofertas e demandas, apoiado ou dificultado pela economia, que é feita por meio de políticas: de crédito, de juros, de câmbio, fiscal, monetária etc.

Enquanto a economia cuida das medições via balanço de pagamentos, dívida pública, produto interno bruto, renda per capita etc., o mercado atua de maneira formal ou informal buscando o encontro de ofertas com demandas, em uma dança sem fim.

A economia, vez ou outra, entra em crise. O mercado, nunca.

Seguindo essa linha de raciocínio, podemos dizer que existe o negócio e a empresa. Por vezes são tratados indistintamente, mas negócios não são, necessariamente, empresas. Assim como a economia surgiu muito depois do mercado, também os negócios apareceram bem antes das empresas. Existiam na forma de escambo e penso que a primeira negociação de que se tem notícia é aquela da serpente tentando seduzir Eva, nos jardins do paraíso.

A administração surgiu para dar sustentação científica aos negócios, mas assim como a economia apoia ou dificulta o mercado, em igual medida a empresa apoia ou dificulta o negócio. Este necessita de um líder empreendedor, talento que se aprende, mas não nas escolas de administração.

A empresa, vez ou outra, entra em crise. O negócio, nunca.

Nessa mesma linha de comparar irmãos tão díspares, temos também a profissão e a vocação. Com alguma sorte, eles podem coincidir e esse é o melhor dos mundos. Mas não é o que geralmente acontece. Profissão costuma ser uma tentativa de enquadrar a vocação, da mesma forma que a economia faz com o mercado e a empresa, com o negócio. Mas a vocação existe há milênios. Já a maioria das profissões surgiu na era industrial e, na atualidade, pululam como pipocas. A profissão, vez ou outra, entra em crise. A vocação, nunca.

Economia, empresa e profissão são construtos humanos. Deles não nos livraremos. Temos, no entanto, de evitar que eles reduzam nosso mundo e, ao mesmo tempo, manter sempre em vista o contexto, formado por mercado, negócio e vocação. É nesse espaço que a crise não tem lugar, pois nele reina a abundância.

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