Entre comos e porquês

É fácil confundir as coisas. Parece que é, mas não é!

Existe grande diferença entre as leis de dentro e as leis de fora. Até produzem resultados diferentes, a depender de sua procedência. Nas empresas, leis de fora são conhecidas como regulamentos. São de tal forma ineficazes que, na era da qualidade, resolveram normatizá-las, para que fossem definitivamente sacramentadas e aceitas. É mesmo um embate sem fim, o de querer que as leis de fora vigorem. Podem até funcionar precariamente, diante das ameaças de punição caso não sejam seguidas, mas sempre com grande esforço das partes. E sempre haverá manhas e artimanhas com o intuito de burlá-las.

Dentro e fora


A melhor solução para esse dilema infinito é substituir as leis de fora pelas de dentro. Ambas podem moldar a cultura de uma empresa. As leis de dentro são os valores. São eles que regem de maneira natural o comportamento das pessoas.
Mas, cuidado: muitos líderes, quando se fala em valores, pensam nos organizacionais, como agilidade, competitividade, objetividade. Embora disfarçados de princípios, continuam sendo de fora. E nada têm a ver com valores virtuosos, ou seja, aqueles que habitam o ser humano ao longo de milênios e que o sustentam nessa caminhada: dignidade, respeito, liberdade, bondade, entre outros.

Demais e de menos


As empresas foram organizadas por meio de cargos e funções dispostos em organogramas, o trabalho transformou-se em processos ordenados e delineados na forma de fluxogramas e os acordos, documentados e registrados em cronogramas. Resultado final: grama demais, gana de menos.

Uma organização não parece ser, portanto, o ambiente apropriado para oferecer às pessoas o significado que elas buscam no trabalho, ou seja um espaço convidativo ao surgimento de ideias criativas ou propício a que aflorem potencialidades.

Comunidade, por sua vez, remete a outro significado, muito diferente. Tem raízes antigas, ligadas à mudança, troca e compartilhar.
Empresas podem parecer organizações ou comunidades. Olhando de fora, são a mesma coisa. Vivendo nelas, sabemos bem quais são as diferenças e como elas influenciam a forma de pensar, de criar, de trabalhar, e de produzir riquezas.

Trilhos e trilhas


Trilhas são apenas esboços de trajetos, possibilidades. Sinalizam uma direção, mas não asseguram a continuidade da caminhada. Não pense na regularidade dos planos de metas ou na infalibilidade dos planejamentos estratégicos. Nem queira que as pessoas se comportem sempre da mesma maneira. Ninguém está no controle, nem mesmo o líder.  A trilha é a realidade e o mestre!

Dos comos e porquês


Perguntas existem para investigar a realidade. Mas existem perguntas e perguntas. Algumas não levam às mesmas respostas nem asseguram que essas seja as melhores. É fundamental considerar que as perguntas revelam muito da qualidade da busca do perguntador e, de alguma forma, adiantam a qualidade de resposta que se vai obter.
Por exemplo: uma pergunta iniciada por como remete à busca de algum método, ferramenta ou meio através do qual o problema vai encontrar a solução. Mas se o perguntador for sábio o bastante para buscar respostas via porquês terá chances de fazer outro caminho, o que leva às trilhas tortuosas, que conduzem às comunidades conflituosas de trabalho, onde afloram opiniões e ideias regidas pelas leis de dentro. Lá onde as aparências não enganam e o que reluz é – muito mais que ouro – a metarriqueza.

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