Do medo de ousar à coragem de realizar

Com essa frase abro o prefácio de meu novo livro “O Velho e o Menino”. E, aqui, o destaque vai para a palavra “coragem”. Uma de minhas intenções, com a obra, é encorajar o leitor a descobrir e viver o seu propósito.
Há quem compreenda coragem como ausência de medo. Já ouvi pessoas dizerem não ter medo de nada. Desconfio. Tanto que transformei o medo em personagem. Chama-se Mórbido. E faz parte do drama e da trama.
Sim, existe o arquétipo do destemido, vivido pelos mocinhos dos filmes de cowboy e por invencíveis super-heróis. Há quem incorpore esse arquétipo e acredite, mesmo, nada temer. Mas o medo faz parte da história e não é dessa coragem que trato no livro. Existe, sim, uma coragem necessária.
Vou dar um exemplo de alguém que deixou suas pegadas na história: sir Isaac Newton. Ao que se sabe, o famoso cientista jamais teve amantes, seja do sexo masculino ou feminino. Morreu virgem, sem nunca ter sido tocado. Tinha medo da intimidade e pavor de contágio. Nada tão distante, portanto, do arquétipo do destemido, do implacável e do invencível.
Pois foi exatamente esse sujeito afetivamente medroso que teve a coragem de descobrir o movimento dos astros, a composição da luz, a velocidade do som, a condução do calor e a irrevogável lei da gravidade, que nos faz lembrar, por sua força de atração, donde viemos e para onde iremos.
Afinal, coragem para que ou para quem? Essa é a pergunta cuja resposta está na força de um propósito. A coragem dá o ar de sua graça quando descobrimos o propósito. A vontade, ou melhor, a força de vontade de realizá-lo é tanta que não medimos esforços para viver essa realidade. Não há tempo feio nem assombração capaz de nos desviar do caminho que leva aonde o nosso coração está. Aliás, coragem é exatamente isso: colocar o coração à frente.
Está escrito e não é de hoje: onde está o seu coração, aí está o seu tesouro (ou o seu propósito, dá na mesma). Sigamos, portanto, a passos firmes na direção correta, mesmo que o Mórbido insista em nos impedir, mordendo nosso calcanhar.

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