Do desejo ao empreendimento.

Quando olhamos uma empresa, ativa e líder de mercado com seus produtos e serviços, pouco ou nada sabemos da história que a levou até esse ponto.

Tudo começa com um desejo; do desejo à vontade; da vontade à idéia. Nesta gênese está o DNA que determina a prosperidade e a longevidade do negócio ou a sua vida curta e fracasso. É porque existem categorias diferentes de desejos: (1) da sobrevivência e busca de meio de vida; (2) de prosperar e constituir riqueza; (3) de fazer alguma diferença; (4) de contar uma história que dê sentimento de orgulho; (5) de resolver um problema e oferecer uma contribuição importante para a sociedade.

A qualidade do desejo molda a forma de a empresa atuar no mercado. Quem pensa em sobrevivência, empreende com modelo mental de subalterno e o máximo que consegue é ser empregado de si próprio. Quem pensa em prosperidade, empreende com a idéia de abundância e de que o sol nasceu para todos.

A qualidade do desejo determina também a intensidade da paixão. E a paixão é a alavanca que move o empreendimento. Ele será bem sucedido na relação direta da paixão que o movimenta. Um empreendimento, principalmente na sua origem, necessita de concentração absoluta de energia. A paixão cobre a conta do sacrifício quando o desejo é algo maior do que apenas sobreviver.

A qualidade do desejo determina, também, a relação com o risco, que é parte integrante dos negócios. Um não existe sem o outro. Sem dúvida, a coragem é uma das principais características dos empreendedores bem-sucedidos.

Até aqui nos fixamos nas origens. O primeiro estágio de um negócio é transformar a idéia em empreendimento. O segundo é fazer com que o empreendimento seja uma empresa próspera. Surgem, então, novos desafios, como o de desenvolver a liderança.

Boa parte dos empreendedores é competente nos quesitos descobrir e desenvolver negócios, mas não se dá bem na gestão de recursos e pessoas. E aí, mais uma vez, a qualidade do desejo que deu origem ao empreendimento determina o seu futuro.

Se o desejo é sobreviver, o modelo principal de liderança é do tipo burocrático. Se o desejo está na prosperidade, menos mal. Ainda assim, há de se prevenir contra algumas armadilhas. A maior delas está a de se cercar de pessoas movidas apenas pela vontade de agradar ou com medo de desagradar. O ego inflado do empreendedor acolhe de bom grado os afagos, da mesma forma que rejeita oposições às suas ideias.

Quando o desejo está em fazer alguma diferença, contar uma história e oferecer uma real contribuição à coletividade onde se insere, o ego fica em segundo plano. É quando o empreendedor se coloca a serviço de uma grande causa da qual é mero instrumento.

Dedicado a esse modelo mental, o empreendedor aprende a lidar com o risco e o fracasso. Compreende ambos como parte da vida empreendedora. Sabe que decisões certas vêem da experiência e a experiência inclui também decisões erradas.

O dinheiro nunca é sua principal motivação. O dinheiro é o combustível do veículo, cujo propósito do veículo nada tem a ver com andar por aí, a esmo, com a garantia de um tanque sempre cheio. O que conta é o destino da viagem e, sobretudo, a própria viagem. Divertir-se enquanto realiza algo que valha a pena. E o que vale a pena, ao final de tudo, não é o lucro acumulado, mas o legado – este sim, faz história.

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